Ana Carolina Rodrigues

Médica Interna de MGF 4º ano na USF Condestável - Batalha

Obstipação, como combater?

A obstipação, vulgarmente conhecida como “prisão de ventre”, é um sintoma bastante comum que afeta pessoas de todas as idades, em particular crianças e idosos. Pode manifestar-se por diminuição da frequência e/ou do volume das dejeções ou ainda por necessidade de maior esforço defecatório ou por sensação de incompletude defecatória.

Existem várias causas, algumas das quais podem surgir simultaneamente. São elas: ingestão inadequada de água e fibras; um estilo de vida sedentário (não se mexer o suficiente); doenças orgânicas do foro gastrointestinal ou outro (endócrino, neurológico...) ou o efeito de certos medicamentos. A obstipação pode ainda ser agravada pela gravidez, por viagens ou por alterações na dieta. Em algumas pessoas, poderá ser o resultado de, repetidamente, ignorarem a vontade para defecar.

A mensagem principal é a de que qualquer alteração persistente dos hábitos intestinais (> de 3 semanas) – aumento ou diminuição da frequência, consistência ou tamanho das fezes ou maior dificuldade para defecar, necessita de avaliação médica.

Nas situações em que exista doença orgânica na sua origem, esta deve ser tratada e nas obstipações provocadas por fármacos deve ser ponderado o ajuste de dose ou a suspensão dos mesmos. Caso isso não se verifique, é necessário tomar medidas para combate da obstipação.

1º passo: aumento da ingestão de água (no mínimo, 1,5 l/dia) e fibras (uma colher e meia por dia). 2º passo: mecanismo de biofeedback (sentar-se na sanita uma vez por dia, sempre à mesma hora, durante 15 minutos. Ao fim de alguns dias será mais provável ter uma dejeção a essa hora) 3º passo: Aumentar a prática de exercício físico (pelo menos 30 minutos por dia)

Se todas estas medidas falharem, será necessário utilizar medicação para tratar a obstipação. Mesmo com fármacos, as medidas gerais nunca devem ser esquecidas. Assim, os três passos anteriores devem sempre ser tidos em atenção. A medicação para a obstipação deve ser prescrita pelo médico apesar de a maioria dos laxantes serem de venda livre, porque há regras. A primeira das quais é começar pela ordem correta, uma vez que há fármacos de primeira, segunda, terceira e quarta linhas. Quando o fármaco de um patamar não resultar, devemos adicionar um fármaco do segundo patamar e não substituí-lo (tratamento cumulativo e não substitutivo).

A reatividade individual a estes fármacos difere muito, pelo que é útil o acerto posológico pelo próprio doente, dentro dos limites impostos pelo médico. Deve ser evitada a escalada terapêutica e o tratamento deve ser de curta duração e não mantido cronicamente.

É importante que se perceba que, depois de uma dejeção abundante provocada por um laxante potente, podem decorrer alguns dias sem nova dejeção (esvaziamento maciço do intestino) pelo que não devem ser tomados laxantes nos três dias seguintes a uma dejeção abundante.

Qualquer dúvida sobre o tema deve ser esclarecida com o seu médico.


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