A Opinião de António Lucas

Ex-presidente da Câmara da Batalha

Verão e fogos florestais

Volto novamente a este tema, por três razões: 1 - Porque o verão se aproxima; 2 - Porque o tempo está cada vez mais instável e 3 - Porque pouco ou quase nada se tem feito no que respeita à prevenção dos fogos florestais.

O que se tem feito?

Muita legislação, sem duvida, mas as leis não reduzem as ignições, nem apagam fogos.

O país tem gasto imenso dinheiro a limpar faixas de proteção às vias e aglomerados urbanos, através dos privados, da EDP, da IP, da REN, da REFER, das câmaras, etc. Trabalho que tem que ser efetuado todos os anos, minimizando um pouco a potencial propagação do fogo, nalgumas situações, mas nada mais resolve.

E gasta-se imenso dinheiro no combate, através de recursos humanos, viaturas e meios aéreos.

Continuamos a bater nas mesmas teclas, assobiando para o ar e não resolvendo o problema estruturalmente. E o que mais custa é a existência de caminhos para essa resolução estrutural, em que se gasta dinheiro durante alguns anos, mas depois praticamente se acabam com os fogos e a floresta passa a ser rentável e a ser vista como um negócio e não apenas como um problema, como tem sido e continua a ser vista.

Como resolver o problema?

Através da constituição de ZIF - zonas de intervenção florestal, com o mínimo de 500 hectares cada uma. E no concelho da Batalha isto até e muito fácil de implementar, uma vez que existem grandes áreas de baldios, que podem ser inseridos nestes condomínios florestais - porque é de um condomínio que se trata -, em conjunto com os terrenos dos privados, que desta forma os veriam e no médio prazo a darem lucro em detrimento de despesas e problemas que dão hoje e que continuarão a dar, se nada for feito.

Estes condomínios teriam apoios de fundos comunitários para a sua gestão e ordenamento, efetuada por profissionais, que teriam que prestar contas aos proprietários. Seriam geridos de forma profissional, rentabilizando a gestão da floresta através da madeira de qualidade, da resina, dos rebanhos, etc.

Por esta via as faixas corta fogo estariam sempre operacionais, quer através de limpeza, quer através de árvores adequadas, ou de zonas de culturas que dificultam a propagação do fogo.

Isto dá trabalho?

Claro que dá algum, mas nada se faz sem trabalho. E as instituições existem para puxar e para implementar os projetos que efetivamente possam resolver os problemas das pessoas, especialmente os grandes problemas, como é o caso dos fogos florestais.

Desta forma, gastar-se-ia dinheiro durante alguns anos, mas depois a floresta passaria a ser rentável e deixaria de ser um risco enorme para todos.

Há soluções simples e económicas para este problema, vamos resolvê-lo de uma vez por todas.

 


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