Joana Magalhães

Pestanas que Falam

Ver a seleção e pagar

Hoje venho falar-vos de Portugal. Do nosso Portugal. Aquando da final da Liga das Nações fui ao café ver o jogo, como fez cada entusiasta “da bola” ou português patriota. Foi um bom jogo, emocionante, daqueles que nos carrega adrenalina no coração – isto, todos sentimos. Porém, a certa altura – e porque, embora sempre de olhos postos no jogo, a minha mente não fica focada 90 minutos entre quatro linhas – dei por mim a pensar na simbologia do momento. Os portugueses, reunidos à mesa, com apenas um objetivo comum, um desejo, a vitória. E ao mesmo tempo que achei curioso que o país foque as atenções naquela hora e meia de futebol, senti-me triste ao pensar que isso não acontece em mais nenhuma situação.

O João Miguel Tavares, no 10 de junho, culpou os políticos pela falta de um objetivo comum, pela falta de uma meta traçada, por não sabermos pelo que lutamos hoje e buscamos amanhã. Em certos aspetos, concordo com ele. Sim, é triste que a minha geração quando ouve os mais velhos falar nos planos de reforma responda com um “quando chegar à minha altura já não há nada disso”. Sim, é triste. E é triste porque não sabemos por que é que pagamos impostos, não sabemos para onde eles vão, nem para que é que servem, mas sabemos que temos de os pagar. É desinteresse? Também é. Mas é também a instalação da cultura “o governo leva tudo e não devolve nada”. É triste também que a minha geração sinta que pode ser perseguida porque deve 10 euros de IRS ou Segurança Social, mas que aos autores de corrupções baste continuar a pagar recursos no tribunal para não terem de devolver um tostão.

Dizem que somos a geração acomodada à casa dos pais e à saia da mãe. Também somos. Mas somos também a geração que vive com o medo do amanhã porque cresceu com a crise e com a realidade de que não há empregos estáveis, nem há dinheiro para ordenados que nos garantam pagar uma renda, água, luz e gás e ainda conseguir comer um mês inteiro. Por isso sim, estamos nos vintes e moramos em casa dos pais.

Mas também somos uma geração de grandes ambições, de grandes ideias, que não quer ser obrigada a emigrar para poder pagar as contas e ainda ter alguma qualidade de vida – como ir ao cinema uma vez por mês, jantar fora de vez em quando ou viajar. Mas a nossa geração precisa de uma base segura, que dê garantias e que não pareça todos os dias que vai quebrar no seguinte.


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