“Vamos ajudar a classificar a Procissão dos Caracóis”

“Vamos ajudar a classificar a Procissão dos Caracóis como património cultural imaterial” é o mote da campanha lançada no dia 14 de março e que marca o início do processo de classificação como Património Cultural Imaterial da secular celebração das Festas de Nossa Senhora do Fetal, no Reguengo do Fetal.

A festa integra duas procissões; a primeira, realizada no último sábado de setembro, à noite, em que a imagem de Nossa Senhora parte da Ermida do Fetal para a igreja paroquial. No sábado seguinte, também à noite, a imagem faz o percurso inverso, devolvendo a imagem ao Santuário.

O processo de classificação desta manifestação religiosa envolve a Paróquia e a Junta de Freguesia de Reguengo do Fetal, a câmara municipal e o Museu da Comunidade Concelhia.

“Constitui condição fundamental para a classificação a património cultural imaterial que a tradição/manifestação continue viva. E é exatamente o que acontece no Reguengo do Fetal. A Procissão dos Caracóis revela-se atualmente como o evento de maior expressão popular, envolvendo todas as gerações, incluindo os emigrantes desta localidade quem, anualmente, regressam dos mais variados locais propositadamente para participar na iniciativa”, explica o município.

“O processo de instrução da candidatura apresenta-se complexo sendo necessário cumprir um conjunto de requisitos técnicos definidos. Numa primeira fase, o trabalho será efetuado em articulação com a Direção Geral de Cultura do Centro para, depois, ser submetido ao inventário nacional, através da Direção Geral de Património Cultural”, adianta.

O caráter desta tradição tem vindo a ser registado em diversos documentos como fotografias, vídeos, artigos de jornal, livros, entre outros suportes que “agora importa recolher com a importante participação de todos”.

A campanha “Vamos ajudar a classificar a Procissão dos Caracóis como património cultural imaterial” inclui a realização de uma exposição fotográfica alusiva às procissões, a exibir na Galeria do Posto de Turismo da Batalha, em dezembro. Para colaborar nesta campanha, a organização criou o email procissaodoscaracois@gmail.com para onde devem ser enviados todos os contributos.

A equipa “irá promover todos os esforços no sentido do reconhecimento desta manifestação como Património Cultural Imaterial”, atendendo à sua relevância religiosa, cultural e patrimonial, refere o presidente da câmara municipal Raul Castro.

“Ao encetarmos o processo de classificação da Procissão dos Caracóis como património cultural imaterial, estamos a contribuir para perpetuar esta manifestação singular da nossa região”, adianta Raul Castro.

 

Muito azeite,

cascas e pavio

Aquando das procissões noturnas, a aldeia é iluminada com milhares de cascas de caracóis em que encontram embebidas, em azeite, torcidas de cordel que servem de pavio, que a população dispõe nas ruas e nas escarpas recortadas.

A energia elétrica é cortada e a imagem da Senhora do Fetal, padroeira da freguesia, é transportada em ombros, do Santuário de Nossa Senhora do Fetal (Mariano) à Igreja Matriz da aldeia, regressando sete dias depois, ao local de partida.

A iluminação com as cascas de caracóis não se limita ao percurso de 800 metros entre os dois locais, pois os habitantes executam autênticas obras artísticas com a iluminação das suas casas, recriando moinhos, fachadas de igrejas, cruzes e outros motivos religiosos, estimando-se que sejam utilizadas pelo menos 12 mil cascas de caracóis nas ornamentações.

O recurso a esta iluminação obriga à utilização de seis mil metros de pavio e 500 litros de azeite para encher a totalidade das cascas.

Nas últimas procissões realizadas terão participado 10 mil pessoas, de acordo com a organização, que congrega a Paróquia de Reguengo do Fetal e a Junta de Freguesia.

A preparação das milhares de cascas de caracóis envolve 200 pessoas da aldeia de Reguengo do Fetal, desde as crianças do Jardim de Infância aos utentes do lar da terceira idade.

 

Origem do culto

“Era uma vez uma pastorinha, que apascentava o seu rebanho pelas encostas áridas e ermas do Reguengo. Em ano de grande e apertada estiagem, andava ela, um dia no cabeço, onde agora se encontra o santuário de Nossa Senhora e, vendo-se ela cheiinha de fome, as suas ovelhinhas tísicas de todo, só com pele e osso, sem febra de verdura para retouçar, encheu-se de tristeza e largou-se a chorar.

Erguendo do regaço o rosto magoado e com os olhos inundados de lágrimas, viu com surpresa, no meio dum tufo de fetos, uma estranha Senhora, que lhe falou assim:

- Porque choras tu, minha menina?

- Tenho fome….

- Vai pedir pão à tua mãe.

- Já lho pedi, mas ela não o tem.

- Vai a tua casa, - insistiu a senhora – e, torna a dizer-lhe que te dê pão. Dize-lhe que uma mulher te mandou dizer-lhe que está pão na arca.

Efetivamente, verificou-se que a arca estava inexplicavelmente cheia de fresco e saboroso pão, que mais parecia ter sido amanhado por mãos de anjos do que por um hábil padeiro.

Voltando de novo, já satisfeita e alegre ao sítio onde a senhora aparecera. Eis que a pastorinha mais uma vez a pôde ver e com ela dialogar, recebendo dos seus lábios a seguinte mensagem:

- Dize à gente do teu lugar que Eu sou a Mãe de Deus e quero que, no sítio deste fetal, me edifiquem uma ermida, na qual eu seja louvada e venerada.

A fama do caso espalhou-se com a rapidez de um relâmpago e logo ali acorreu, em justificado alvoroço, grande e esperançada multidão, achando naquele sítio uma pequenina e mistérios imagem de Nossa Senhora, e junto dela, uma fonte miraculosa, com cujas águas se começaram a alcançar graças do céu.” (…).

Com o produto das promessas e outras esmolas, fácil e rapidamente se construiu uma pequenina ermida, onde se expôs à veneração dos fiéis a miraculosa imagem ali encontrada.

Ignora-se em que época se deu a aparição, bem como a data de construção da primitiva ermida de Nossa Senhora do Fetal.

Mais tarde em 1585, edificou-se um templo mais amplo e mais sumptuoso, onde acorriam, em tempos idos e durante todo o ano, grandes e numerosas levas de peregrinos, alguns vindos de muitas léguas de distância; e aonde ainda hoje afluem numerosos devotos.

D. Maria I, por provisão de 1791, autorizou uma Feira Franca no 1º Domingo de Outubro.

O Bispo de Leiria, D. Manuel de Aguiar, aplicou no hospital, que dele tomou o nome, boa parte das ofertas feitas pelos fiéis, ao Santuário de Nossa Senhora do Fetal e, por isso, mandou da Sé de Leiria para ali, a título de compensação, dois artísticos altares com retábulos de talha e colunas salónicas.

No mês de maio de 1896, D. José III, Cardeal Patriarca de Lisboa, ordenou ali preces públicas de “Ad Petendam Pluviam”, a que se associaram as freguesias circunvizinhas, nomeadamente a de Fátima, alcançando do Céu chuva abundante para os campos.

Em memória deste acontecimento, concedeu o venerando Antístite 200 dias de indulgências a quem rezasse uma Salvé Rainha diante de Nossa Senhor ado Fetal.

A Senhora do Fetal tornou-se, assim, um dos santuários mais conhecidos e mais visitados de todas as redondezas. (…). Fonte: JF Reguengo do Fetal/Site

 


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