Valores que podem e devem voltar ao Mosteiro

É dito corrente que se de Lisboa saíssem todos os valores que pertenceram aos conventos das nossas províncias, com o da Batalha, espoliados sobretudo depois da expulsão das Ordens Religiosas, os museus da capital ficariam vazios.

E é capaz de ser verdade, relevando-se-lhe o exagero. Mas há valores, que foram expropriados ao convento batalhense que não estão expostos nem em visas de o serem, encontrando- se pura e simplesmente encaixotados. E cito dois: os painéis do Infante Santo que, por amabilidade da então directora do Museu Nacional da Arte Antiga, Dr.ª Alice Beaumont, e do saudoso Dr. Sérgio Guimarães de Andrade que então dirigia o Mosteiro de Santa Maria da Vitória, tive ocasião de ver nos anos 80, e um painel seiscentista de azulejos figurando S. João Baptista, que está guardado no Museu do Azulejo, no Convento da Madre de Deus.

Haverá com certeza outros nas mesmas circunstâncias. No tocante aos painéis do Infante Santo diz-se, no documento referente ao seu depósito em Lisboa: “O Mosteiro da Batalha depositou no Museu das Janelas Verdes (Museu da Arte Antiga) para figurar na Exposição de Pintura Portuguesa dos Séculos XV e XVI, a realizar em 1940, a seguinte obra: tríptico pintado sobre madeira, do século XV, denominado Infante Santo”. Documento datado de 16 de Setembro de 1939 do pelouro da Arte da Comissão Nacional dos Centenários.

A obra não foi cedida mas depositada para aquele fim, pressupondo-se que voltaria à sua origem. No número de Março do “Jornal da Batalha”, no apontamento nº 168, referi os painéis do Altar de Jesus, altar que estava no topo norte do transepto onde está a bancada do coro da Igreja, que foram levados para a igreja do Convento das Trinas, no Rato, em Lisboa.

Embora expostos, não creio que naquele templo sejam muito vistos, antes pelo contrário, pelo que sugeri e continuo a sugerir que regressem à Batalha onde hoje há condições para os preservar e expor. Mas chegou-me há pouco a notícia duma notável iniciativa do director do Mosteiro, Dr. Joaquim Pereira Ruivo: a recriação, na Capela do Fundador do armário (neste caso uma vitrina), onde estiveram armas e armaduras atribuídas aos Reis D. João I e D. João II que o pintor Domingos Sequeira reproduziu em 1808, desenhos registados no Album que está no Museu da Arte Antiga.

Esta vitrina será composta com réplicas, por uma questão de segurança, continuando os originais no Museu Militar em Lisboa.

De qualquer forma, constituiria, além de mais um atractivo na Capela do Fundador, duma lição permanente sobre aquele período empolgante da nossa História e duma memória dos seus principais protagonistas, Contudo é de observar que os especialistas se inclinam presentemente para as peças desenhadas, que o pintor atribui a D. João II, serem de seu pai D. Afonso V, o que em nada diminui o seu interesse. Reproduz-se o desenho dos elmos e das armas.

José Travaços Santos Baú da Memória


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