Cristiana Miguel

Médica Interna - USF Condestável, Batalha

Vacinação contra a Covid-19: a luz ao fundo do túnel?

A pandemia Covid-19 foi decretada pela Organização Mundial de Saúde a 11 de março de 2020. Ao longo do ano, a investigação sobre o novo coronavírus teve prioridade sobre muitas outras, as farmacêuticas fizeram grandes investimentos, as burocracias que tornavam este processo moroso foram agilizadas, e houve muitos voluntários para os estudos. Isto permitiu que hoje, quase um ano depois, esteja finalmente a decorrer o processo de vacinação.

A maioria dos infetados com Covid-19 apresenta doença ligeira. Contudo, cerca de 15% apresenta doença grave, e 5% necessitará de internamento em Unidade de Cuidados Intensivos. E é aqui que reside a importância da vacinação contra a Covid-19. Com a vacina pretende-se não só prevenir a infeção pelo novo coronavírus, mas também prevenir a doença grave e as suas consequências, de forma a que os sistemas de saúde consigam ter uma maior capacidade de resposta nestas situações. A vacina prepara o sistema imunitário para reconhecer o vírus e desta forma protege a pessoa quando exposta ao vírus. Contudo, não se sabe ainda quanto tempo dura a imunidade conferida pela mesma.

Em Portugal a vacinação iniciou-se com a vacina da BioNTech-Pfizer, com duas doses. A vacinação é gratuita e tem sido administrada faseadamente a grupos prioritários. Será alargada à restante população quando houver um maior número de vacinas disponíveis.

Não é possível efetuar agendamento para a vacinação, devendo aguardar contacto por parte do Serviço Nacional de Saúde (SNS). No caso de não ser seguido no SNS, deverá fazer a inscrição através de um formulário online, disponível em https://covid19.min-saude.pt/vacinacao/

Não devem ser vacinadas pessoas com sintomas sugestivos de Covid-19, pessoas infetadas ou em isolamento profilático e pessoas com doença aguda grave, até à resolução da respetiva situação. Mulheres a amamentar podem fazer a vacina, e pessoas que já tenham tido Covid-19 também o poderão fazer, tendo prioridade quem ainda não foi infetado. No caso de crianças e grávidas, não existem dados para recomendar a sua vacinação.

Quanto aos efeitos adversos, para já não parecem diferir dos habitualmente causados por outras vacinas. Os mais comuns consistem em dor no local da injeção, cansaço, dores de cabeça, musculares e articulares, arrepios e eventualmente febre. Para garantir uma atuação rápida nos casos de reação alérgica grave existe um período de vigilância de pelo menos 30 minutos após a vacinação.

Esperemos que esta seja a luz ao fundo do túnel que há tanto aguardamos. Entretanto, é nossa obrigação manter as medidas de segurança – por nós, pelos que nos rodeiam, e pela sobrevivência do nosso sistema de saúde.


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