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Notícias dos Combatentes

Uma mão cheia de nada!

Muitos dos nossos combatentes têm abordado o núcleo, solicitando explicações acerca do publicado, nas páginas 20 e 21, na revista do combatente, edição 387, de março de 2019, sobre o projeto lei do reconhecimento e da solidariedade aos antigos combatentes (em que o Núcleo apenas se revê na palavra combatentes, pois somos Liga dos Combatentes e não dos antigos combatentes); projeto esse que assenta na revisão da lei 3/2009.

Ora, este projeto não passa disso mesmo, de um projeto, apresentado pela Direção Central da Liga dos Combatentes ao governo (sobre o qual, aliás, pelo menos o Núcleo da Batalha não foi ouvido), pois, através do nosso presidente, tinha já sido publicada matéria de relevo e interesse sobre o assunto, na edição 384 da mesma revista, em junho de 2018.

O governo, através da comunicação social, fez saber (por exemplo, no jornal Público: que teria aprovado o estatuto do antigo-combatente, ou seja, uma mão cheia de nada, que apenas compila e remete para o pouco a que os combatentes já têm direito; cria um cartão do combatente que, tão só, vem satisfazer algumas associações que o reivindicam, mas pouco representativas no universo dos combatentes; cartão esse que nada dá e de nada serve, em comparação com o que o Cartão de Associado da Liga dos Combatentes já proporciona aos seus associados; esse, sim, um cartão digno e útil.

Mais gravosamente, este projeto lei alteraria a data do Dia Nacional do Combatente, com quase 100 anos, de 9 de Abril – data da histórica Batalha de La Lys, em que os nossos soldados se bateram heroicamente – para o dia 11 de Novembro, em que se comemora o armistício, esquecendo assim os atos abnegados e gloriosos dos nossos homens, que deram a sua vida pela “ditosa pátria”, sua amada. Depois da intervenção do ministro da Defesa, no dia 6 de Abril, na Batalha, em que comemorávamos o Dia do Combatente, nas comemorações do 9 de abril a que o mesmo se referiu, apenas nos leva a concluir que o projeto lei do governo deverá ter sido mandado elaborar a um qualquer “césar” estagiário em advocacia, que nunca passou pelas fileiras, e sem o mínimo conhecimento da realidade, que é ter dado, se necessário, a vida pela pátria, e que nem ao trabalho de consultar a história se deu.

Claro e evidente que o legislador não se esqueceu de criar mais uma Unidade Técnica Interministerial para os Antigos (?) Combatentes, para coordenar a implementação do estatuto, pois há que diminuir o desemprego entre a classe dos legisladores, isto para implementar algo que nos parece não passar de intenções vazias num pedaço de papel.

Resumindo, sejamos realistas e tomemos consciência que o publicitado apenas se tratará de mais uma manobra para influenciar a opinião pública de que algo foi feito! Mas não, pois continua a tratar-se apenas de uma proposta de lei, a 195, com chavões bonitos, mas que em nada serve os que serviram. Portanto, será mais uma mão cheia de nada, que terá de ser transformada em Lei, seguir para a Assembleia da Republica para aprovação, e tudo isto após o processo eleitoral para o Parlamento Europeu, a que se seguirá depois mais o processo eleitoral para as legislativas, depois aos novos governos, aos novos ministros, etc. mas que, no entanto, ficou bonito sair na comunicação social e continuar-se-á a protelar no tempo as verdadeiras e justas soluções para os combatentes, até que daqui a uma ou duas décadas estes já não existam e não seja necessário falar mais no assunto, encerrando-se o mesmo com a morte do último guerreiro!


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