João Ramos

Fisioterapeuta

Torcicolo Muscular Congénito

Na edição deste mês abordamos o tema Torcicolo Muscular Congénito. Define-se como uma condição não dolorosa, habitualmente presente à nascença ou que se desenvolve nos primeiros anos de vida. Existe um encurtamento ao nível do músculo Esternocleidomastoideu, tendo como consequência, a alteração da postura da criança, caracterizada pelos seguintes sinais: inclinação lateral da cabeça para o lado do músculo afetado e rotação para o lado oposto; em conjunto com a rotação e inclinação a criança pode exibir flexão e extensão assimétrica; a fibrose do músculo está presente em todas as crianças com Torcicolo, variando de uma massa contínua não palpável a uma firme massa palpável.

Classificada como a terceira patologia do foro músculo-esquelético mais frequente em condições pediátricas, a seguir à displasia de desenvolvimento da anca, o Torcicolo Muscular Congénito, tem a incidência de 1 caso em 250 nascimentos, sendo o lado direito o mais afetado; sendo possível ser diagnosticado imediatamente após o parto ou apenas quando o recém-nascido tem entre 2 e 4 semanas de idade.

As causas deste tipo de disfunção são diversas, desde lesões isquémicas, ao mau-posicionamento intra-uterino, traumas durante o parto, ou ainda outros fatores, tais como miosite infecciosa.

Existem três tipos de Torcicolo Muscular Congénito: Torcicolo Muscular Congénito onde é palpável uma discreta massa no músculo Esternocleidomastoideu; Torcicolo Muscular Congénito onde existe um aumento de tensão muscular, sem nódulo palpável no músculo Esternocleidomastoideu; Torcicolo Postural - onde não é detectável aumento de tensão muscular nem massa palpável no músculo Esternocleidomastoideu.

O Torcicolo Muscular Congénito é uma condição benigna e com um bom prognóstico, principalmente se for diagnosticada numa fase inicial e se forem instituídos tratamentos de fisioterapia, pelo que o fisioterapeuta tem um papel preponderante numa fase precoce.

Estudos de Demirbilek & Atayurt (1999) revelam que crianças que iniciaram o tratamento de fisioterapia antes dos 3 meses de idade não necessitaram de intervenção cirúrgica - Taxa de sucesso 100%.

A participação ativa dos pais no tratamento do seu filho é determinante para a obtenção de bons resultados. Se tiver dúvidas sobre o caso do seu filho, fale com o médico pediatra que encaminhará para o tratamento mais adequado.

 


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