José Travaços Santos

Baú da Memória

Temos de defender activamente a Língua Portuguesa

Não era por acaso que Fernando Pessoa dizia que a Língua Portuguesa era a sua Pátria. Na realidade, é o que nos identifica, que nos irmana e que nos une. Meio de comunicação e de comunhão e alicerce da nossa criatividade intelectual e de todas as nossas distinções.

Só as diferenças culturais enriquecem o mundo, contributo dos pontos de vista e de cada país e de cada grupo humano.

Não obstante, a incomensurável importância do Idioma, estamos a substituí-lo diariamente por expressões constantemente importadas. Simultaneamente, não tivemos ainda um governo, nem temos uma academia, com a preocupação de promover a sua defesa, de tomar rigorosas providências para evitar e corrigir os males que lhes estamos a infligir.

Porquê shopping e não centro comercial, porquê hall e não átrio ou vestíbulo, porquê tsunami e não maremoto, porquê ticket e não talão, recibo ou senha?

São centenas, senão milhares, os vocábulos, sobretudo ingleses, que estão a espatifar o nosso Idioma. E nós, portugueses, cada vez mais adormecidos, mais desinteressados do destino do nosso património cultural, e a Língua Portuguesa é o património dos patrimónios, nem um passo damos, nem uma atitude tomamos para que as coisas se modifiquem.

Está, apenas, nas mãos de todos nós que isso possa acontecer. E, evidentemente, na vontade dos políticos.

A gravura é reproduzida, com a devida vénia, da capa do livro “Padre António Vieira – o Imperador da Língua Portuguesa”, coordenado por José Eduardo Franco. Edição do “Correio da Manhã”.


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