Núcleo de Combatentes da Batalha

Notícias dos Combatentes

As sete pragas de Portugal

De há uns largos anos a esta parte tem havido milhentos concursos, promovidos pelas televisões, para eleger a melhor de sete maravilhas de Portugal, nos mais diversos âmbitos: monumentos, praias marítimas ou fluviais, aldeias históricas, paisagens naturais, destinos de férias, culinária, etc, etc. Enfim, parece que neste nosso “cantinho à beira mar plantado” só há maravilhas, vivemos num paraíso, somo todos uns felizardos!

Há um fundo de verdade nesta descrição, porque, de facto, o nosso Portugal ainda é, em termos naturais, climáticos, gastronómicos e de segurança, um ótimo país para se viver e ser feliz. O problema é que bem mais de dois terços da população portuguesa não consegue usufruir dessa felicidade, a não ser episodicamente. E porquê, se dispomos de tão excelentes condições, que até são a inveja de tanta gente de outros países que, sempre que pode, não perde a oportunidade de vir desfrutar de tais maravilhas? Será que somos masoquistas? Gananciosos? Invejosos? Demasiado ambiciosos? Eternamente insatisfeitos?

Até poderemos ser um pouco de tudo isto. Contudo, cremos que o principal problema da nossa quase perene insatisfação terá origem noutros parâmetros, alguns deles endémicos e outros para lá caminham. Lembremos alguns:

- A dicotomia rico-pobre; chefe-vassalo; forte-fraco será quase tão velha como o aparecimento do homem na Terra e, com o decorrer dos milénios, parece que as assimetrias têm aumentado. Seria suposto que o surgimento das religiões, em particular a católica, ao menos, atenuasse as diferenças, mas não se tem notado nada, pelo menos em Portugal (Faz o que eu digo; não faças o que eu faço…)

- A constituição das monarquias, se realisticamente analisadas, demonstram que vieram agravar as desigualdades sociais e as injustiças sobre os mais desafortunados e basta aprofundarmos um pouco da nossa história, já a caminho dos 900 anos, para confirmarmos esta evidência.

- Praticamente de braço dado com os dois padrões anteriores está o aparecimento da política, ou melhor, dos políticos que, de um modo geral, parece que conseguiram reunir em si o pior do ser humano. Desde que, há umas décadas, ouvimos um político americano dizer, em tom jocoso, que um político que se preze é aquele que, quando não está a beijar criancinhas, está a roubar-lhes o chupa-chupa, perdemos todas as ilusões acerca da maioria destes figurões. Tanto mais que, em Portugal, temos tido disso a rodos. Em especial desde que, no primeiro quartel do século XVIII, os partidos políticos foram proliferando a esmo.

- Os crimes de “colarinho branco” são mais uma praga descomunal, já velha de séculos e que em Portugal parece estar cada vez mais poderosa, para nos esmifrar até ao tutano. Tal como o SARSCov-2, “oferece-nos” variantes para todos os gostos: corrupção, compadrios, cunhas, “jobs for the boys”, promiscuidades em todos os campos da sociedade… tudo isto com a quase total impunidade dos seus autores, mas de gravíssimas consequências para o “zé povinho”, ou seja, quase 90% da população portuguesa que, com os seus vencimentos de sobrevivência e impostos às carradas, é quem suporta estes “desvios” (Ladrões são os “pilha-galinhas”…).

O rosário está longe de estar desfiado, mas falta-nos o espaço. Fica para a próxima.

Batalhenses, cuidem-se, porque o “bicho” continua por aí, à nossa espreita...

 


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