A Opinião de António Lucas

Ex-presidente do Município da Batalha

Serviço público

Portugal tem uma carga fiscal elevada. Já ninguém tem dúvidas sobre esta afirmação. É uma constatação. Este facto contribui decisivamente para que os cidadãos tenham toda a razão para exigir serviços públicos de qualidade, no mínimo ao nível da elevada carga fiscal que todos, ou quase todos, suportamos.

Aumenta, assim, a responsabilidade dos funcionários e gestores públicos e, em simultâneo, a falta de paciência dos cidadãos para lidarem com os prestadores do serviço, muitas vezes sem razão, mas muitas outras com razão, pela fraca sua qualidade, embora na grande maioria dos casos quem ouve e sofre o desagrado do utente seja quem tem menos culpa.

Em muitos casos, quem dá a cara não tem qualquer culpa da qualidade do serviço que presta e os verdadeiros culpados escondem-se e não recebem os cidadãos, encaminhando-os para atores secundários que também não tem culpa e acabam por dar a cara, tentando branquear a falta de qualidade do serviço que prestam, com argumentos fracos, porque não tem argumentos fortes, uma vez que não podem por em causa as incapacidades, incompetências, ou simples desleixo e consideração pelos seus utentes/clientes, por parte dos chefes ou superiores hierárquicos.

Os cidadãos e utentes dos serviços públicos merecem todo o respeito, e o atendimento deve ser igual para todos, com atenção e consideração, e quanto mais frágil for o cidadão, maior deve ser o cuidado no seu atendimento, pois ainda precisa mais do que qualquer outro cidadão.

Quando sentimos que o atendimento usufruído é pior ou melhor, não raras vezes sempre mau, consoante se é ou não amigo do decisor, consoante se contesta ou não a forma de gerir do decisor, então esse organismo ou serviço está próximo de bater no fundo e a probabilidade da contestação crescer exponencialmente passa a ser muito elevada e com consequências muitas vezes imprevisíveis.

Logo, a forma de se evitarem estas situações passa pelo regresso do respeito por todos os cidadãos, independentemente da sua cor, da sua cor política, raça ou credo. Os serviços públicos são dos cidadãos, apenas existem para estarem ao serviço dos cidadãos e nunca para que alguém se sirva deles.

Quando assim não acontece, está tudo invertido e 45 anos volvidos após 1974, não é admissível que essa inversão aconteça.

Que fique claro que a grande maioria dos decisores e outros funcionários públicos são gente que merece todo o respeito e que faz todos os dias um enorme esforço para contribuir para a prestação de serviços de elevada qualidade aos cidadãos. O problema passa pela existência de alguns maus exemplos que degradam e estragam o excelente trabalho de muitos.

Eu próprio tive, há não muito tempo, a prova da elevada qualidade do serviço público de saúde, que justifica que diga bem alto que recebi uma prestação de cuidados de elevadíssima qualidade, prestada por gente de elevada competência, disponibilidade, esforço e dedicação, incluindo médicos, enfermeiros, pessoal auxiliar, pessoal administrativo. Nunca será admissível que gente deste calibre possa em situação alguma ser mal tratada ou provocada, por algo que possa correr menos bem nesses serviços.

O mesmo acontece na educação, noutros serviços públicos centrais ou locais.

O respeito deve sempre ter dois sentidos, ida e volta, quando alguém não se dá ao respeito, aumenta exponencialmente a probabilidade de não ser respeitado. O problema maior acontece quando estas situações levam a exageros dos cidadãos desrespeitando tudo e todos que lhe aparecem à frente. Nunca será assim que os problemas se resolvem e os verdadeiros culpados continuam a passar incólumes.


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