A Opinião de António Lucas

Ex-presidente da Câmara da Batalha

Serviço Nacional de Saúde

O SNS é sem margem para dúvidas o serviço mais importante e sensível que o nosso Estado, em boa hora, colocou ao serviço de todos nós cidadãos.

A sua filosofia de base, possibilitando a todos o seu usufruto, em igualdade de condições, independentemente dos impostos pagos, torna a nossa sociedade mais igual e mais justa, tratando todos de forma igual, mormente em fases muito difíceis da vida de cada um, nomeadamente quando nos encontramos doentes.

Devido à sensibilidade do serviço, quer pela dor que surge nos momentos da sua utilização, para utentes e familiares, quer pela ausência de compreensão para as dificuldades de quem presta o serviço, em muitos casos, torna-se muito sujeito a queixas, denúncias e reclamações, não raras vezes justas, mas muitas vezes injustas.

Compara-se muito o serviço público com a prestação de cuidados de saúde em unidades privadas, surgindo opiniões diversas, dependendo obviamente da experiência que cada um viveu, num lado ou no outro.

Poderemos retirar uma conclusão, a parte hoteleira, em termos gerais, é melhor no privado. Mas o que é verdadeiramente importante é a parte da saúde e aí, perdoem-me as boas unidades privadas que também existem por cá, mas continuo fiel ao serviço público. E falo com grande conhecimento de causa.

Poderia dizer que tenho tido a sorte de me calhar gente muito competente, muito dedicada, muito esforçada e com um espírito de serviço público de elevado nível, porque efetivamente tem sido o que me tem acontecido, mas isso não acontece só comigo, como é óbvio.

A grande maioria das pessoas são competentes, muito dedicadas, muito esforçadas e muito preocupadas com os seus doentes, dedicando-se a eles de forma elevada. Conheço muitos médicos, muitos enfermeiros, muitos administrativos e muitos auxiliares assim. Também conheço algumas exceções que confirmam a regra, de gente que não merece estar no serviço público, e nunca estaria no privado, porque correriam logo com eles, pois os seus clientes pagantes não estariam para os aturar.

São estes últimos que degradam a imagem do serviço público provocando generalizações injustas para os muitos funcionários competentes e dedicados aos seus doentes e ao público em geral. São os que consideram cada utente um chato que ali vai para lhe infernizar a vida quando a verdade é outra, vai ali para lhe pagar o salário.

Em bom rigor os serviços públicos existem tão só e apenas para resolver os problemas aos cidadãos, que os pagam através dos seus impostos e das taxas e taxinhas cobradas pelas diversas instituições. Se não for para este fim, não servem para nada e a sua existência deixa de fazer qualquer sentido.

E será bom que todos os que prestam serviços ao cidadão, a começar no do posto mais elevado e a terminar no funcionário mais simples, tenham consciência que quem lhes paga e quem justifica o seu emprego é precisamente o cliente que lhe surge na frente do balcão, quer seja na saúde, na escola, nos transportes, numa câmara, etc.

Os maus funcionários estragam a imagem dos serviços, a qualidade dos serviços e acima de tudo e muito injustamente a imagem e a idoneidade dos bons funcionários que muitas vezes são colocados no mesmo saco dos que não prestam, de forma muito injusta. E felizmente os nossos serviços tem muita gente boa, competente, capaz, dedicada, esforçada, que fazem com que muitos sejam serviços de excelência. Quem não se sentir bem, nem estiver disponível para tratar os utentes com atenção, simpatia, eficiência e competência, tem sempre a solução de ir embora, pregar para outra freguesia, e os utentes agradecem.

 


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