Joana Magalhães

Pestanas que Falam

São 14 dias (ou mais) em que não há desculpas

Por esta altura, é inevitável que o tema desta crónica seja o novo Coronavírus. Um fenómeno que obriga a mantermo-nos vigilantes, olhar por nós, pelos outros – próximos ou distantes – e lavar as mãos, lavar as mãos, lavar as mãos. Este é um daqueles períodos em que “não acontece só aos outros”, pode acontecer a todos, e todos, rigorosamente todos, têm a responsabilidade de se proteger a si e aos grupos de risco.

O Covid-19 tem, por estes dias, obrigado as empresas a desdobrarem-se em métodos de teletrabalho, os estudantes estão em casa e as ruas como que desabitadas. Estar em casa pode parecer um plano chato, mas é essencial.

Poderia, em seguida, deixar uma lista de livros, filmes e séries que considero serem uma boa forma de passar o tempo. Poderia lembrar-me de jogos de tabuleiros, dos cestos de roupa para lavar ou daquele caixote que está por arrumar. Mas a minha proposta é diferente.

O que proponho é que se aproveite este tempo para pensar. Num mundo em que sentimos não ter tempo para respirar, parar e pensar, este pode ser o momento. Aproveitar os dias para refletir no que se fez e no que se planeia fazer. Talvez este seja exatamente o tempo que precisávamos para colocar a vida em perspetiva e sentir, no coração, se o caminho é o correto.

São 14 dias (ou mais) em que não há desculpas, em que há tempo para pensar. E pensar é, hoje, já um luxo. Pensar, refletir e voltar com as ideias reforçadas, reformuladas e mais fortes. Afinal, o mundo foi obrigado a parar, as comunidades estão obrigadas a ser solidárias, as pessoas lembram-se de ter cuidado consigo e pensam naqueles que querem proteger. E isto, ninguém fazia há muito tempo.


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