Helena Barreiros

Carta de Leitor

Saber preservar e restaurar o nosso património

Ao executivo camarário do Município da batalha

(Senhor presidente)

 

O nosso património histórico arquitetónico representa parte da nossa história local, nacional, mundial que, por isso, urge preservar. O Mosteiro de Santa Maria da Vitória classificado como património da humanidade, e inscrito na lista do património mundial da UNESCO, em 1983, é disso um nobre exemplo, merecendo, de todos nós, cultivar essa consciência cívica e patriótica.

O material pétreo utilizado na sua construção é, como noutras edificações semelhantes, sujeito à ação de uma série de agentes que contribuem para a sua degradação, nos quais se incluem os climáticos e meteorológicos, biológicos, geológicos e os humanos, tendo o Mosteiro de Santa Maria da Vitória vindo a sofrer os efeitos nefastos provocados pelos mesmos ao longo do tempo…

Quando um executivo camarário demonstra ter este nível de consciência, é um facto digno de louvar. Na realidade, feito o diagnóstico, através de estudos encomendados, e apurados os resultados, estes apontam para o impacto provocado no monumento pelo ruído, as vibrações e o dióxido de carbono emitido pelo intenso tráfego rodoviário circulando na EN1.

O projeto em execução inclui a construção de barreiras em betão camufladas por árvores, arbustos e milhares de plantas. A intervenção está orçada em cerca de 577 mil euros, suportados pelo município e por fundos comunitários do FEDER, que assegura um financiamento de 85% do custo total.

Até este ponto, digo: Tudo bem.

Passando a uma segunda fase, coloca-se a questão da manutenção da obra.

Ora, eu, na qualidade de ativa e consciente cidadã, e munícipe contribuinte deste concelho, questiono: onde está o plano, quem o executa, e quais os custos desta manutenção?

Senhor Presidente: o cargo que ocupa, por eleição, exige que saiba gerir a coisa pública, “res pública”, de forma sustentável, pondo de parte a demagogia barata e a exibição de obras e outros feitos, porventura em detrimento do bem comum.

A infraestrutura que está a ser instalada em frente ao Mosteiro da Batalha poderá contribuir para a diminuição do impacto geológico nas estruturas do monumento, mas haverá certamente outra solução menos onerosa para o erário público, ou seja de todos nós.

“Nós não herdámos a Terra dos nossos antepassados, nós tomámo-la de empréstimo às gerações futuras”, Antoine Saint-Éxupery. Mas há um preço da memória.

Cordialmente,

Helena Barreiros

Professora do Agrupamento de Escolas da Batalha,

Munícipe do Concelho da Batalha,

4 de fevereiro de 2018


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