Notícias dos Combatentes


A realidade social dos combatentes

Os combatentes e as suas famílias sacrificaram-se muito, nem sempre ganhando o respeito devido, e muito menos os recursos necessários para poderem viver uma vida produtiva e saudável. Trata-se de um grupo social com grandes pontos fortes, incluindo resistência, perseverança, coragem e habilidades críticas de resolução de problemas, mas que não os impede de enfrentar desafios significativos e complexos.

Dos conflitos anteriores à guerra moderna de imposição e manutenção de paz, como a Guerra Colonial, os militares que sofreram traumas físicos e mentais graves muitas vezes não sobreviveram o tempo suficiente para lidar com as repercussões desses eventos, nem tiveram o apoio ou preocupação das entidades, na maior parte dos casos, por simples amnésia política, muito útil ao descartar de responsabilidades. Não obstante o agravamento dos custos da assistência na doença, quando o seu caráter gratuito deveria ser o benefício mínimo que o Estado deveria garantir aos que obrigou a treinos incomuns para estarem prontos, física e psicologicamente, e os deslocou para longe das suas famílias ao serviço da Pátria..

Como é natural, com os avanços na tecnologia médica e armadura corporal, cada vez mais combatentes sobrevivem a situações que teriam levado à morte em guerras anteriores. Além disso, as missões tornaram-se mais comuns, os mesmos combatentes repetem missões com frequência e em vários teatros de operações e por vezes os intervalos entre a projeção de forças são apenas o tempo de preparação em território nacional para a nova missão. O stress acumulado durante as múltiplas experiências militares pode mudar ao longo da vida do combatente. Com o aumento da exposição ao stress de combate, principalmente no Afeganistão, equiparável ao das ex-colónias, os combatentes podem regressar com problemas de saúde mentais e comportamentais, de que não se apercebem de momento, mas que por falta de acompanhamento podem vir a ter consequências com sequelas graves no futuro..

Os casos vão aumentando, sem, no entanto deles se darem conta, pois os participantes em missões externas regressam, vão passando à reserva e à situação de reforma, e é aí, com a falta de ocupação, que se começam a manifestar, não só pelos traumas que possam vir a surgir, mas também pelos índices de carência económica causada pela incerteza nas regalias, que deixaram de ser certas, e lhes foram mesmo sendo retiradas. Neste rol enquadram-se também os militares em regime de contrato que, após terminarem o seu período máximo de permanência nas fileiras, passam à disponibilidade, ficando exclusivamente a seu cargo a própria inserção, reforce-se, desacompanhada na vida civil, nem sempre conseguindo novo emprego, o que conduz a situações de pobreza extrema, agravando ainda mais os problemas psicológicos..

É aqui que intervêm as direções e voluntários dos núcleos da Liga dos Combatentes, espalhados pelo território nacional, na identificação e reencaminhamento dos casos para as suas valências, os Centros de Apoio Médico, Psicológico e Social. Para além dos serviços específicos que fornecem, os CAMPS têm a oportunidade, deslocando-se também às sedes dos núcleos, de instruir os mesmos, sobre como responder às necessidades das populações militares e famílias. Com esta preciosa ajuda, direções e voluntários, poderão intervir diretamente na reposição do normal percurso de vida, tanto social como psicológico, de tão honrosos homens e mulheres que um dia juraram defender a sua Pátria e os seus concidadãos, sem exceção, com o sacrifício da própria vida..

Não deixemos que os nossos combatentes sejam diluídos num grupo social que ao deixar de ser necessário, passe a um incómodo político. Não esqueçamos os nossos combatentes. No mínimo, eles são tão portugueses e cidadãos como qualquer um de nós..


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