A Opinião de Augusto Neves

Jurista e presidente da Concelhia da Batalha do PS

PSD diz ser alternativa, mas não sabe o que isso significa

No último texto que escrevemos fazíamos referencia às negociações que decorriam relativas ao orçamento do Estado. Antecipávamos aquilo que considerávamos ser o frágil e contraditório comportamento do PSD e dos partidos à esquerda.

Quanto à esquerda comportou-se como era de esperar: tentando cada um obter os maiores louros para si próprio. Já a direita e sobretudo o PSD, pois o CDS está solúvel, fez o que eu pensava mas ainda com maior profundidade.

Pensava eu que o PSD ia pegar em qualquer coisa e fazer birra até ao fim de depois embandeirar a enorme vitória conseguida. Porém, para não ficar atrás da esquerda, fez também sua a reivindicação de baixa do IVA na Eletricidade. Ou seja, fez aquilo que faz um partido que diz ser alternativa, mas não sabe o que isso significa.

Esqueceram-se rapidamente da história da contagem de tempo dos professores e o desastre que isso revelou ser para a direita e infelizmente não só.

O PSD ao exigir aquela medida demonstrou duas coisas: a primeira é que só diz o óbvio. Toda a gente gostaria de descer o IVA da eletricidade e o PS não foge à regra, mas neste caso uma coisa é querer e outra é poder. Outra coisa é propor medidas que poriam o país em grandes dificuldades financeiras que ninguém quer a menos que o PSD mantenha a filosofia do Passos Coelho cujo caminho era o do empobrecimento do país e a “exportação” dos nossos jovens.

Mas se Rui Rio não é Passos Coelho então qual será a intenção dele e dos que o rodeiam para insistir em medidas impraticáveis?

Já sabemos que nas próximas autárquicas vão dizer que quiseram baixar o IVA da eletricidade o PS não deixou. Infelizmente e para mim estranhamente a política de Rui não se pode levar a sério. Eu devo dizer que tinha alguma fé no homem. Em algo que pudesse ajudar o governo a crescer económica, financeira e socialmente.

É isso que tem feito a esquerda, lutando com dignidade e com seriedade. E é preciso reconhecer que tem conseguido que o governo do PS aplique medidas mais favoráveis, sobretudo em relação aos que menos tem.

É caso para perguntar a Rui Rio, se fosse governo, se descongelaria todo o tempo de serviço dos professores (e de todos os outros funcionários do Estado) e se descia o IVA da eletricidade de 23 para 6%.

Teria de dizer que desconfia que as contas públicas que o PS apresenta podem não ser exatamente assim e que só depois de apurar tudo isso é que se pode pronunciar.

Temos assim um Partido Social Democrata sem saber o que fazer. Atado de mãos e pés com o acerto do Partido Socialista.

Agora vem dizer que à primeira vez até correu bem, à próxima é que não vai correr. E também dizem que têm de deixar de ser socialistas de segunda, pelas palavras do seu ex-líder parlamentar. Verdadeiramente o que se vai percebendo é que o PSD está metido numa teia da qual não se consegue livrar.

Esta ideia de deixar de ser socialistas de segunda demonstra bem como o PSD está subjugado a uma governação séria, acertada, eficaz. E não querendo reconhecer isso vai gatinhando a ver se encontra o caminho de saída.

Mas não está fácil.

Para terminar, dizemos que o senhor presidente da Câmara da Batalha, que vem para a comunicação social por tudo e por nada, também lhe ficava bem ter vindo quando na semana passada faleceu o pai de um colaborador municipal.

Mas não. Nem uma palavra.

 

 


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