José Travaços Santos

Baú da Memória

Portugal a 20 anos de completar 9 séculos

Podemos considerar a fundação de Portugal como nação independente entre 1139, ano em que D. Afonso Henriques, vencedor dos Mouros na batalha de Ourique, se proclama Rei, e 1143 em que seu primo Afonso VII de Leão e seu suserano o reconhece como tal na Conferência de Samora (Zamora), confirmando, portanto, a independência de Portugal, o que quer dizer que estamos a vinte anos da efeméride.

Simultaneamente em 2040 passam 400 anos da recuperação da independência que em 1580, num grave momento da História Pátria, havíamos perdido.

Se não vivêssemos hoje, no que diz respeito à Pátria e à respectiva liberdade, que é a liberdade de todos nós, em acentuada confusão habilmente explorada pelos gatos pingados das nações, podíamos desde já ir pensando em comemorações de extraordinária grandeza e relevante significado, que não se limitariam a festejar mas a analisar, a estudar e a debater profundamente o significado das acções que, há séculos deram azo a esta velha de nove séculos independência nacional, sobretudo nestes tempos em que surgem novos Filipes da Macedónia com os seus machos carregados de tentadora prata.

O Povo Português tem de rever os seus valores e de revisitar a memória dos seus antepassados que tornaram este nosso País livre, que deram mundos ao Mundo, que nos dotaram dum pensamento original e duma cultura capaz de produzir vultos universais como Camões, Fernando Pessoa e muitos outros.

Portugal inteiro devia mobilizar-se para isto, aproveitando a oportunidade para se reinventar e reinventar-se como país definitivamente livre e de novo capaz de dar surpreendentes contributos à Humanidade.

A imagem que ilustra este breve apontamento transcrevi-a, com a devida vénia, do 2º volume da “História de Portugal”, publicação notável dirigida pelo Historiador Prof. Doutor José Mattoso. Reproduz, conforme o texto que a acompanha, “o brasão de D. Afonso Henriques, segundo uma pintura anónima do século XVIII (Lisboa, Academia das Ciências). Pormenor de um quadro representando a genealogia dos reis de Portugal. Esta representação iconográfica do brasão antigos dos reis de Portugal, embora tardia, reproduz certamente, uma forma autêntica, pois assemelha-se aos sinais de Sancho I desenhados num documento de 1189 (…)”.


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