A Opinião de António Lucas

Presidente da Assembleia Municipal da Batalha

Pedrógão Grande e concelhos limitrofes

Em primeiro lugar quero, também por esta via, endereçar um voto de pesar por todas as vitimas mortais e às respetivas famílias, dos grandes incêndios ocorridos recentemente no norte do nosso distrito, à semelhança da proposta que efetuei e foi aprovada por unanimidade na ultima assembleia municipal da Batalha.

Quero também enviar um voto de louvor aos nossos bombeiros, pela sua dedicada, competente e arrojada (e habitual) intervenção, bem como a todos quantos contribuíram para minimizar o impacto daqueles enormes incêndios para as populações locais. Quero também deixar uma palavra de esperança para todos os que sofreram na pele o terror de incêndios daquela dimensão junto às suas portas.

Volto pela terceira vez a este tema, no espaço de um ano, pela sua permanente atualidade, mas também porque não esqueço o que o nosso concelho sofreu em 2 de agosto de 2003 e em 5 de agosto de 2005. Mas também porque o que aconteceu em Pedrógão e concelhos limítrofes podia e pode ocorrer em muitos outros concelhos, entre os quais o nosso.

Ao longo dos últimos anos muito foi feito para criar condições para que o combate seja mais eficaz. Criaram-se diversos aceiros florestais, pontos de água em quantidade e locais adequados para abastecimento de autotanques e helicópteros, faixas de gestão de combustíveis, criação de brigadas florestais, criação de EIP – equipas de intervenção permanente na época dos fogos, muita sensibilização, etc. Mas considero que o mais importante ainda não está feito e refiro-me a implementação de ações de prevenção.

Os fogos florestais devem ser muito mais evitados do que combatidos. Evitando-os ou criando condições para que a sua propagação ocorra com menor velocidade e rapidez, estamos a gerar riqueza florestal, a evitar mortes, a proteger o património das pessoas, a proteger o ambiente e estamos a evitar momentos de grande preocupação e de dor aos cidadãos.

A partir do inicio de 2014, através de uma alteração legislativa, passou a ser possível, mesmo em regiões de minifúndio, como é o nosso caso, a criação de condóminos florestais ou ZIF – zonas de intervenção florestal.

A meu ver, é este o único caminho para resolver, de vez, o problema dos incêndios florestais.

As alterações climáticas estão aí e, infelizmente por via delas, os fenómenos naturais extremos irão ocorrer com maior frequência, o que propiciará a ocorrência de maiores e mais graves incêndios. Não basta a limpeza dos terrenos em volta das casas - é importante, mas não basta.

É fundamental que de uma vez por todas se organize e ordene a nossa floresta, deixando assim de ser uma fonte de problemas e preocupações, para passar a ser uma fonte de equilíbrio ambiental e de riqueza.

De uma vez por todas, espero e desejo que nos 30 mil hectares (trinta mil campos de futebol de 11), ardidos no norte do distrito se implementem condomínios florestais bem pensados e ordenados, para que aquela gente não mais sofra o que sofreu e o que continua a sofrer.

Desejo também que as entidades públicas tenham aprendido algo com aqueles incêndios, iniciando os processos tendentes à implementação dos condomínios florestais nos restantes concelhos do país, porque se assim não fizerem as populações jamais lhes perdoarão.


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