José Travaços Santos

Baú da Memória

Patrimónios Preservados (II)

 

Não é um roteiro dos templos do nosso concelho, mas apenas uma forma de registar o exemplo e de saudar as populações que souberam preservá-los e continuam a defender e a acarinhar estes bens preciosos e insubstituíveis do seu património histórico. Com excepção de dois, todos os outros têm referência em “O Couseiro”, obra escrita no século XVII, suponho que no género é rara senão única, mas só impressa no século XIX e com reedições nesse século e no século XX.

No número anterior mencionei os da paróquia da Batalha que engloba as freguesias civis da Batalha e da Golpilheira, neste registo os das paróquias do Reguengo do Fetal e de S. Mamede.

O Reguengo do Fetal é a paróquia mais antiga do nosso concelho, criada em 24 de Junho de 1512 pelo Prior Mor de Santa Cruz de Coimbra, D. Pedro Vaz Gavião (que também foi bispo da Guarda), desmembrada da de São Martinho de Leiria, enquanto a da Batalha é criada, pelo mesmo Prior Mor, em 14 de Setembro daquele ano, e desmembrada da de Santo Estêvão também da cidade de Leiria.

No Reguengo do Fetal, que tem bastas razões históricas para ser elevada a vila, há três templos valiosíssimos: A Igreja Matriz, erigida com certeza no século XVI e reedificada no século XVIII, de arquitectura barroca mas com elementos góticos, há inclusivamente restos duma ombreira gótica incrustados na parede norte, com interior harmonioso que já nos princípios do século XX foi enriquecido com as paredes rendilhadas do baptistério oitocentista do Mosteiro de Santa Maria da Vitória. Teve primitivamente a invocação da Santíssima Trindade que se mudou depois para Nossa Senhora dos Remédios. As suas duas torres sineiras, com os vasos flamejantes típicos do barroco, são muito elegantes. Num outeiro a pequena distância da matriz está a ermida de Nossa Senhora do Fetal, construída no século XVI, com um interior forrado a belíssimos azulejos dos séculos XVII e XVIII. Desse notável interior, reproduzo uma significativa parcela. Nesta ermida venera-se a preciosa e miraculosa imagem de Nossa Senhora do Fetal. A poucos metros da ermida está outra, pequena, designada por Ermida da Memória, onde se venera a imagem de Nossa Senhora da Consolação.

Na freguesia, está na aldeia das Alcanadas a ermida de São Mateus que o povo fez muito bem em conservar, embora construindo um segundo templo nas proximidades do primitivo. Podemos considerá-lo um exemplar do barroco rural. Diz “O Couseiro” que “junto ao lugar de Alcanadas estava uma ermida de invocação a Santo Hilário e esteve até ao ano de 1567 no qual a derribaram e se fez a que hoje é de S. Mateus”.

Na freguesia de São Mamede a igreja do Casal Vieira, da invocação de Santo António e construída no século XVIII. É um templo simples mas bem expressivo do barroco rural. Foi poupada e muito bem, embora na proximidade se construísse outro templo. E vem a propósito perguntar se esta aldeia da progressiva freguesia de S. Mamede não deverá ser designada por Casal do Vieira, tudo levando a crer que o seu primeiro morador seria alguém de apelido Vieira. São Mamede é a segunda vila do concelho da Batalha.


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