José Travaços Santos

Baú da Memória

Patrimónios Preservados (I)

Apesar da sanha destruidora, que apagou do nosso património paroquial diversos templos, e o mais grave dos casos passou-se exactamente na nossa Vila ao arrasar-se a Igreja de Santa Maria-a-Velha, ainda podemos registar exemplos notáveis de preservação, o que é, sem dúvida, motivo do maior orgulho para as respectivas populações. Na Golpilheira conservam-se dois templos, um deles datando de meados do século XV que primitivamente teve a invocação de Jesus e agora tem a do Senhor dos Aflitos, cuja imagem se reproduz, e o de São Bento erguido onde existia, já em 1211 o da invocação de São Leonardo, no lugar da Cividade, topónimo expressivo a designar origem romana, nas Brancas a seiscentista ermida de Nossa Senhora da Conceição que, informa “O Couseiro”, foi construída “no mesmo sítio onde existiu outra muito antiga e pequena”, na Faniqueira a de Santo Antão, guardiã do precioso retábulo cuja datação, entre o século XIV e o século XV, é motivo de análise pelos historiadores, dizendo o Professor Doutor Pedro Dias que a valiosa peça resultou duma encomenda da duquesa de Borgonha, D. Isabel, filha de D. João I e de D. Filipa de Lencastre e não da captura ao exército castelhano derrotado na batalha real de Aljubarrota, a de Santa Maria Madalena, datada de 1571 e agora integrada no espaço do cemitério municipal, a de São João Baptista na Quinta do Sobrado, mais recente mas com interesse documental. E, evidentemente, na Vila, para além do Mosteiro e da Igreja Matriz, monumentos nacionais, a capela da Santa Casa da Misericórdia, datada do século XVIII, cujo altar tem um admirável retábulo de madeira policromada, e a capela, quase rústica mas muito significativa, de Nossa Senhora do Caminho (embora a imagem do seu altar seja a da Senhora da Consolação). Na Quinta da Várzea, cuja desclassificação ainda está por explicar, a capela de São Gonçalo, invocação rara senão única na região, em estado de degradação mas que, creio, ainda está de pé.

É imprescindível que as populações continuem a preocupar-se com estes seus patrimónios, que devem transmitir intactos às novas gerações, e a assumir, corajosamente, os primeiros lugares na sua defesa.

No próximo número referirei os templos das restantes paróquias do nosso Concelho.


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