A Opinião de André Loureiro

Presidente do PSD da Batalha

Os “Pardais” Henriques que prosperam na luta popular

Com a falta de interesse generalizado em discutir as questões estruturais que verdadeiramente afetam os cidadãos, num tempo em que a informação rigorosa é confundida com “posts” nas redes sociais e algumas “bocas” no café, o negócio da luta vendido pelos “Pardais” Henriques do nosso país, e até na nossa terra, tem tudo para prosperar.

Todos temos presente a saga do conhecido dr. Pardal Henriques, o mediático jurista e líder sindical dos motoristas de matérias perigosas, que por duas ocasiões praticamente parou o país, forçou medidas extraordinárias do Estado, uma situação quase de guerra civil, sem paralelo desde os tempos do PREC, inclusive pela sua ação foram mobilizadas as forças armadas, com custos para a economia e despesa pública que alguns economistas estimam em mais de 500 milhões de euros, para além dos prejuízos na vida da generalidade dos cidadãos.

Tudo isto, como hoje todos sabemos, apenas mobilizado por um punhado de agitadores sociais liderados pelo dr. Pardal Henriques, que afinal está a ser investigado por burla, constituiu um sindicato ilegal e, pasme-se, surge como candidato a deputado nas listas do Partido Democrático Republicano (PDR), liderado por Marinho e Pinto. Ou seja, neste caso, como infelizmente em alguns outros, valeu tudo para dar visibilidade pública a um alegado “burlão” que a coberto da luta sindical e da defesa do povo, nada mais pretendia do que um lugar no Parlamento português.

E mais grave ainda, este agitador da política nacional, segundo algumas sondagens, regista algumas hipóteses de poder vir a ser eleito, e assim dar sequência os trabalhos mais ou menos legais que desenvolve a pretexto da luta sindical, naturalmente pago pelo Estado e com imunidade parlamentar o que certamente permitirá continuar as suas atividades burlescas.

Ora, este episódio do porta-voz do sindicado dos motoristas não teria tanta relevância, não fosse a evidência que este tipo de fenómenos tendem a repetir-se no país e também nos meios locais, onde com alguma regularidade vão surgindo agitadores locais que normalmente recorrem a técnica do “Papão” ou do “Velho do Saco”. Figuras bem conhecidas das nossas crianças quando por alguma razão estão a esquivar-se de comer a sopa ou cumprir com os deveres escolares.

“Se não comes a sopa, vem aí o Papão!”; “Se não fazes o trabalho da escola, chamo o Velho do Saco!”. Assim se enganam as pobres criancinhas, mas elas lá comem a sopa ou fazem os deveres da escola, e todos ficam contentes. Embora, talvez fosse preferível explicar aos menores a importância de uma refeição equilibrada e motivar o interesse ao estudo através de jogos e ações pedagógicas que mais tarde podem ajudar à disciplina e conhecimentos da criança.

Este exemplo infantil repete-se na rua e nos lugares da nossa sociedade, naturalmente com outra sofisticação, mas na génese a questão é a mesma. Agitam-se bandeiras e anunciam-se perigos para o povo – vem aí o “Papão”! Mobilizam-se meios e animam-se as redes sociais, criticam-se tudo e todos, para a seguir surgirem os nossos “Pardais” Henriques, como autênticos salvadores da pátria e verdadeiros especialistas em qualquer tema que preocupe os cidadãos. Mais tarde, honrando o seu inspirador, serão também candidatos a qualquer coisa pública que os ajude a manter o status de líderes da luta popular. Problemas resolvidos, nenhum!

Por fim, alerto que seria abusiva qualquer comparação com factos atuais que se passaram ou venham à acontecer na nossa terra, todavia a demagogia e o populismo são temas que nos devem fazer pensar a todos sobre o futuro que desejamos para a nossa sociedade.

 


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