João Pedro Matos

Tesouros da Música Portuguesa

Os melhores discos de 2019

A música portuguesa respira saúde e vitalidade. Nos anos mais recentes, entre os nomes consagrados, aparecem novos intérpretes e compositores que inovam e surpreendem, o que só nos dificulta a escolha dos melhores discos do ano. Assim, mais uma vez, cabe-nos a ingrata tarefa de designar alguns e excluir outros que, talvez, merecessem estar entre os onze que a seguir se indicam:

11º Montanhas Azuis, “Montanhas Azuis”. O super grupo de jazz, formado por Norberto Lobo, Marco Franco e Bruno Pernadas, apresenta um álbum na senda da eletrónica mais experimental, mas que se ouve com agrado.

10º Paus, “Yess”. Os Paus voltam a baralhar e a dar cartas no pós-rock, um ano após “Madeira”. No entanto, mudam tudo para continuarem iguais a eles mesmos. O disco tem o toque mágico de Grassmass, produtor musical brasileiro.

9º Luís Severo, “O Sol Voltou”. Um álbum de autor, na medida em que é composto, tocado e produzido por Luís Severo, que aqui se assume como escritor maior de canções. Acácia, Domingo ou Joãozinho são alguns dos temas que se destacam.

8º Profjam, “#FFFFFF”. O que há a acrescentar sobre um dos mais inovadores e arrojados álbuns de hip hop português? O público foi o seu melhor crítico, já que o disco andou pelos lugares cimeiros da tabela nacional de vendas.

7º Ricardo Ribeiro, “Respeitosamente”. Ricardo Ribeiro diz que não é fado, nós arriscamos dizer que é música do mundo: africana, alentejana e também fado, em grandes canções como Canto Franciscano ou Depois de Ti.

6º Frankie Chavez, Peixe, “Miramar”. Os dois músicos socorrem-se das guitarras para tecerem paisagens sonoras belíssimas. São onze instrumentais que constituem este Miramar, feitos à medida dos amantes da guitarra, seja ela acústica, portuguesa ou elétrica.

5º Capitão Fausto, “A Invenção do Dia Claro”. Três anos depois de “Têm os Dias Contados”, os Capitão Fausto regressam com mais um trabalho de antologia. Boa Memória é o tema mais divulgado, mas o resto do disco deve igualmente ser escutado com atenção.

4º Renato Júnior, “Uma Mulher Não Chora”. Homenagem a todas as mulheres, com quinze cantoras convidadas, e entre elas contam-se Viviane, Katia Guerreiro, Joana Amendoeira, Rita Redshoes e Simone de Oliveira. Há uma doce melancolia que percorre este álbum, o qual merece aparecer em qualquer lista dos melhores do ano.

3º Bernardo Sassetti, “Solo”. Sete anos sobre o seu trágico desaparecimento, é publicado este trabalho a solo, ao que parece o primeiro de nove álbuns a publicar postumamente. O piano de Bernardo Sassetti tem uma dinâmica tão profunda que ultrapassa o mero domínio do jazz.

2º Salvador Sobral, “Paris, Lisboa”. Numa referência ao universo do cineasta alemão Wim Wenders, Salvador Sobral reflete sobre a sua experiência pessoal, onde há sofrimento, amor e desamor e, no final, um convite para estragarem-lhe os planos.

1º Stereossauro, “Bairro da Ponte”. Disco que ultrapassa todos os géneros e classificações, parte de gravações de Amália Rodrigues e Carlos Paredes para, depois, uma série de convidados de luxo cantarem acompanhando as ditas gravações. Entre os convidados incluem-se Carlos do Carmo, Camané, Ana Moura, Gisela João, Rui Reininho, Capicua, Dino d’Santiago, entre outros, em dezanove faixas que constituem uma leitura atual do património discográfico de Amália Rodrigues e Carlos Paredes. Para nós, o disco do ano.

Votos de feliz Natal e próspero Ano Novo.

 


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