João Pedro Matos

Tesouros da música portuguesa

Os melhores discos de 2017

Com o ano a caminhar a passos largos para o fim, impõe-se fazer o balanço do que mais relevante se fez na música em termos de produção nacional. Num ano que ficou marcado pela vitória de Portugal no Festival Eurovisão da Canção, não podemos deixar de fazer referência a outros acontecimentos, mormente às edições discográficas que, na nossa opinião, destacaram-se pela qualidade no nosso panorama musical.

Assim, iremos enumerar os dez melhores álbuns portugueses que vieram a lume em 2017. Vejamos, então, como estão ordenados, fazendo menção ao artista e ao trabalho de que é autor:

10 - Vaarwell, "Homebound 456". Delicadeza é o substantivo que melhor designa o longa duração de estreia dos Vaarwell. A voz frágil de Margarida Falcão, a guitarra de Ricardo Nagy e o baixo de Luís Monteiro entretecem uma melancolia que evoca as gotas dos beirados numa tarde outonal, num álbum que escapa a géneros e rótulos.

9 - Kika Cardoso, "Kika Cardoso". Depois de vencer um concurso de talentos numa televisão privada e de ter integrado os Viva La Diva que participaram no Festival RTP da Canção, Kika Cardoso estreia-se num trabalho homónimo que é um hino à soul, transbordante de espiritualidade (chega mesmo a incluir um coro gospel que participa em dois temas). Nos singles de apresentação, I Knew e I Will Love Him, solta a sua voz poderosa e africana, que é um portento da natureza.

8 - Mazgani, "The Poet's Death". O luso-iraninano Sharyar Mazgani assina o seu quinto álbum a solo, um disco repleto de referências, como sejam a PJ Harvey ou a Leonard Cohen. Conta na produção com Peixe, antigo elemento dos Ornatos Violeta.

7 - Custódio Castelo, "Maturus". Com vinte e cinco anos de carreira, Custódio Castelo termina a trilogia que começou com "Tempus" e continuou com "In Ventus" e assume-se como um dos principais executantes da guitarra portuguesa da atualidade. Óscar Cardoso construiu-lhe uma guitarra batizada de Siamesa por unir as guitarras de Lisboa e de Coimbra, na mesma caixa de ressonância. Convida, entre outros, Jorge Fernando, Carlos Leitão e Rão Kyao, todos juntos numa sentida homenagem ao Alentejo.

6 - Carlos Leitão, "Sala de Estar". Natural de Arraiolos, Carlos Leitão revela-se como um dos maiores fadistas da sua geração, sem esquecer nunca as suas raízes. A lista de convidados é impressionante: Cuca Roseta, Jorge Fernando, Rui Veloso, Custódio Castelo, Lia Gama, entre outros.

5 - Ermo, "Lo-Fi Moda". São de Braga e assumem-se como um duo português que faz música eletrónica. Segundo eles próprios, "Lo-Fi Moda" é uma metáfora sobre o comportamento humano, a vaidade e o narcisismo no mundo digital.

4 - Marco Rodrigues, "Copo Meio Cheio". Ao terceiro disco, Marco Rodrigues interpreta um conjunto de canções que não são fado, mas são cantadas por um fadista. "Fado do Cobarde" e "O Tempo" são os temas que se ouvem na rádio, mas o nosso preferido é "A Tua Estátua" escrito por Capicua.

3 - Mimicat, "Back in Town". Marisa Mena canta soul com alma e muita garra, num universo pop que tem Beyoncé como principal inspiração. Exceção para Lord, uma oração que faz arrepiar o ouvinte mais empedernido, e Stay Strong em tons de jazz, regressando assim ao registo do seu primeiro de originais, For You.

2 - Orelha Negra, "Orelha Negra". O seu álbum de estreia recebeu rasgados elogios por parte da crítica, mas agora os Orelha Negra superaram-se a si próprios e tomaram de assalto a tabela de vendas de discos, alcançando o primeiro lugar. Sem qualquer dúvida, o melhor projeto de hip-hop nacional.

1 - Dulce Pontes, "Peregrinação". A mais internacional das cantoras portuguesas interpreta aqui grandes nomes universais, tais como Joaquim Rodrigo, Amália Rodrigues, Isaac Albeniz, Astor Piazzolla ou Charles Aznavour. Uma jóia preciosa no já longo caminho de Dulce Pontes.

Votos de Boas Festas.

 

 


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