NCB

Notícias dos Combatentes

Os combatentes – esses velhos caquéticos

Chegou-nos ao conhecimento haver por aí alguém que, referindo-se aos Combatentes, terá desabafado algo do género: “Esses combatentes não passam de uns velhos caquéticos, que não há maneira de desaparecerem, para deixarem de chatear”.

Provavelmente, isto é boataria de alguns intriguistas, embora seja verdade que os combatentes do ultramar vão ficando cada vez mais velhos e alguns também já algo caquéticos. Porém, continuam a orgulhar-se do que fizeram pela Pátria e ainda hoje, quando chamados a representá-la, revivendo esse passado, nunca deixam de responder “presente”, quantos deles fazendo enormes sacrifícios, designadamente físicos! E os da Batalha estão sempre na primeira linha! Querem exemplos? Eis os mais recentes:

1º - Em novembro pretérito, em Lisboa, aquando das comemorações do centenário da assinatura do Armistício, de um contingente de seis combatentes, que nos haviam solicitado inicialmente para desfilarem, quase nas vésperas, fomos instados a irmos pelo menos outros tantos. Em cinco dias, numa operação “porta a porta”, de seis passámos a 21!

Divulgámos o episódio no artigo desse mês e só lamentamos que o nosso pedido de ajuda (transporte) tivesse caído em “saco roto”… Com o tempo havemos de ficar calejados…

2º - Meados de março: somos informados de que, na capital, irá ser comemorado, em 4 de abril, o 70º aniversário da fundação da OTAN (NATO). São solicitados aos núcleos 30 combatentes para integrarem o desfile e os respetivos porta-guiões (+30). Como já andávamos assoberbados com duas comemorações, que iriam ocorrer na Batalha em 5 e 6 de abril, e nas quais tínhamos grandes responsabilidades, pedimos escusa de comparência naquele evento, o que inicialmente foi aceite. Mas eis que, uns dias antes, voltámos a ser instados a participar e já não só com dois elementos, mas ao menos com quatro. E ainda com uma agravante: na véspera, dia 3 de abril, devíamos ir aos ensaios! Enfim, não fomos quatro; fomos sete! E não fomos mais por apenas ser essa a capacidade da viatura que nos transportou.

3º - 5 de abril: decorreu, no salão de eventos dos nossos abnegados bombeiros (que, mais uma vez, no-lo cederam gratuitamente – bem-hajam!), o jantar-convívio, a culminar a comemoração do 79º aniversário do núcleo. Se, eventualmente, houver por aí alguém que ande a apostar no nosso declínio, apanhou mais uma deceção: este convívio nunca reuniu tanta gente (cerca de 200 convivas!), ao ponto de nos últimos dois dias termos deixado de aceitar inscrições, com receio de não caberem no recinto.

4º - 6 de abril: comemorações nacionais, na nossa vila, do “Dia do Combatente” e do 101º aniversário da batalha de La Lys. Para além de uma preparação prévia, indispensável e nos bastidores, consubstanciada em reuniões, inúmeros contactos, etc., em que sempre estamos envolvidos e que são cruciais para que no dia “D” nada falhe, acresce que, mais uma vez, e para além da imprescindível presença, na cerimónia e no desfile, do nosso vitalício e garboso porta guião (Joaquim Cerejo Gregório), o nosso núcleo voltou a ser altamente prestigiado, ao serem escolhidos no seu seio os porta-estandarte nacional e porta guião da Liga dos Combatentes (respetivamente, António Carneiro Alves e António Soares de Sousa)!

Acedam à nossa página no Facebook e lá encontrarão notícias e fotos de todos estes eventos e onde, inclusive, identificarão vários dos nossos velhos combatentes, os quais, de uma forma tão garbosa, continuam e elevar bem alto o nome da Batalha!

Que pena a incompreensão com que são tratados na sua terra por aqueles que, verdadeiramente, podiam contribuir para que pudessem conviver mais um pouco entre si, mas, por razões que nos ultrapassam, preferem ostracizá-los!

Enfim, podemos já estar velhos e até caquéticos, mas ainda fazemos questão de não deixarmos os nossos créditos por “mãos alheias” e, por muito que sejamos desvalorizados, continuaremos, orgulhosamente, a dar o nosso melhor, em honra da nossa “ditosa Pátria”!


NESTA SECÇÃO

Aproxima-se o verão

Aproxima-se mais um verão e os receios da seca já começaram, com fundamento, atendendo ao ní...

História deturpada e vilipendiada

Nos “Apontamentos” deste mês tive de voltar a um tema que é caro, ou que devia ser, a todos ...

A lua é minha amiga

Um dia olhei pela minha janela. Eram 6 da tarde. A lua, como sol, surgindo por de trás da ve...