Joana Magalhães

Pestanas que falam

O tempo tem sempre o mesmo tempo (?)

“Estás tão crescida!” – a frase clássica de quem, como todos nós, vê nos outros a passagem do seu próprio tempo. Todos ouvimos isto. Um tio que já não víamos há uns meses, um amigo dos nossos pais e, lá está, a célebre frase. Mas, afinal, porque temos de olhar para uma criança que “dá um pulo” de um mês para o outro para cairmos na realidade de que o tempo passou? E rápido. Muito rápido.

A rotina é a maior aliada do tempo. Ou inimiga, depende da perspetiva, suponho. Acordar, comer, ginásio, tomar banho, trabalhar, comer, dormir. Ao fim de um tempo estamos em modo robot. Passa um dia, dois, três e, de repente, passou um mês. Claro que, individualmente, cada dia parece bastante longo enquanto passamos por ele, mas, depois, quando olhamos para trás, “não demos pelo tempo a passar” – outra expressão bem tuga. Bom… que embrulhada…

Há ainda outra questão: o tempo passa mais rápido quando estamos entretidos a fazer alguma coisa de que gostamos? Isto é, porque é que fica aquela sensação que ver uma série de uma hora com o namorado ou que um jantar de três horas com as amigas passou mais rápido do que meia hora de uma aula de filosofia? Se o tempo tem sempre o mesmo tempo, deveríamos sentir sempre exatamente o mesmo tempo a passar… não? Ou já embrulhei tudo de novo?

O tempo não é fácil de perceber. Tem uma medida, sempre igual, mas não passa sempre da mesma forma. Afinal, no que ficamos? E questiono porque acho que seria vantajoso desmistificar este tema. Como quem diz, seria vantajoso chegar aos 18 anos e não percebermos o real valor da idade só quando chega a carta que nos torna eleitores ou quando conduzimos um carro pela primeira vez. Também seria vantajoso darmo-nos conta que a vida de estudante acabou e começou a “séria” vida de trabalhador antes de termos de preencher toda a papelada que, honestamente, ninguém com 21 anos sabe para que serve. IRS? IEFP? Devem ser siglas indicativas das cadeiras do próximo semestre, só pode…

Toda a gente tem medo da passagem do tempo. Uns porque não querem ficar velhos, outros porque não querem que os seus cresçam rápido. Para mim, o tempo devia ter dois botões: 1 – passar rápido; 2 – passar devagar; assim, teria a verdadeira oportunidade de escolher como quero que o meu tempo passe em determinada altura. O botão 1 para a sala de espera antes de entrar no consultório do médico. O botão 2 para os momentos felizes. Mas o tempo, que escolhe sozinho como quer passar o seu próprio tempo, faz exatamente o contrário. Porquê?

Uma coisa é certa: O tempo tem tanto tempo quanto o tempo tem. E passa rápido. Ou não.


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