Álvaro José Silva

Médico Interno de Medicina Geral e Familiar, USF Condestável, Batalha

O que significa o Fator de Proteção Solar?

Todos nós já ouvimos falar das medidas gerais de proteção contra o sol. De facto, já conhecemos a importância de evitar a exposição solar entre as 11 e as 17 horas, de usar protetor solar com fator de proteção igual ou superior a 30 ou até de reaplicar o protetor de duas em duas horas, em média.

Primeiramente, é importante reforçar a ideia de que a luz solar é essencialmente constituída por radiação ultravioleta (UV). O espectro da luz UV é dividido em três subtipos consoante o comprimento de onda: 290–320 nm (UVB), 320–400 nm (UVA) e 100–290 nm (UVC). Quer a radiação UVA quer a UVB podem causar queimaduras solares, reações de fotoenvelhecimento, vermelhidão e inflamação da pele. Os agentes fotoprotetores previnem e minimizam estes efeitos prejudiciais dos raios UV.

No entanto, o que significa verdadeiramente o conceito de Fator de Proteção Solar (FPS)? Qual a diferença entre o 15, 30 ou 50?

Conceptualmente, o conceito de Fator de Proteção Solar refere-se à capacidade de filtrar a luz solar e prevenir o desenvolvimento de vermelhidão por exposição à radiação UV. Laboratorialmente, FPS 15 é protetor contra 93% da radiação UVB; FPS de 30 protege 97% da radiação UVB, o FPS 50 protege contra 98% dos UVB. No entanto, na prática, estas pequenas diferenças percentuais têm grande impacto no nível de proteção. O valor do FPS é calculado medindo a proporção da dose mínima de radiação UV que gera lesão avermelhada na pele, dividindo essa dose mínima numa pele protegida pela dose mínima numa pele não protegida. Assim, o número 50 do FPS significa que o produto numa pele protegida permite que esta seja exposta a 50 vezes mais radiação UVB até queimar do que uma pele desprotegida.

Portanto, podemos afirmar que o FPS não indica especificamente o tempo que se pode ficar ao sol, uma vez que a intensidade da radiação a que nos expomos varia entre dias e ao longo do mesmo dia. De forma geral, a quantidade de energia solar a que somos expostos durante 60 minutos às 9 horas é equivalente à de 15 minutos às 13 horas. Portanto, o FPS “per se” não é suficiente para determinar um tempo seguro para nos expormos ao sol porque a intensidade do sol varia consoante os dias e até ao longo do mesmo dia. Para além do FPS, é precisar ter em atenção outros fatores que podem afetar significativamente a capacidade do fotoprotetor, nomeadamente a quantidade, a altitude, a estação do ano, a quantidade de suor, a exposição à água, ou o reflexo de UV na neve ou água.

Uma das limitações do FPS é a falsa sensação de segurança. Na verdade, de pouco vale o número do FPS se o creme, por exemplo, não for aplicado corretamente. Segundo a definição inicial proposta pela Food and Drug Administration, os utilizadores de proteção solar devem aplicar a quantidade de 2mg/cm2. Isto significa que, se a cobertura não tiver espessura de pelo menos 1mm, não garante a homogeneidade da camada protetora.

O SPF mínimo recomendado é o 30, aconselhando-se SPF 50 a pessoas de pele clara. Como está bem estabelecida a relação entre o número de queimaduras solares e o risco de cancro cutâneo, estamos cientes de que o conhecimento pode levar a escolhas mais informadas.


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