José Travaços Santos

Baú da Memória

O nosso Boletim Meteorológico

No campanário vizinho da celebrada abóbada da Casa do Capítulo, onde está o sino que em tempos passados, além de chamar os fiéis para alguns actos religiosos, servia para “tocar a rebate” quando um incêndio deflagrava na paróquia batalhense, está, encimando-o, o “nosso boletim meteorológico”, uma simples bandeirinha metálica que rodando ao sabor do vento nos fornece preciosas infirmações sobre o tempo que fará. Virada a Sul, como se vê na fotografia, indicaria tempo calmoso, a Oeste alertava-nos para a chuva, a Norte para o frio, a Noroeste para o frio e a chuva miúda e virada a Leste para o tempo seco.

Na crença popular para o ponto cardeal para que estivesse virada na noite da passagem de ano assim seria o tempo durante os próximos meses: de chuva, virada a Oeste, de sequeiro virada a Leste. E curioso era que havia quem a espreitasse ao bater das doze badaladas do relógio do Mosteiro, cuja maquinaria ainda está na torre principal (Coruchéu da Cegonha) mas reduzida ao silêncio por uma questão de segurança do já fragilizado coruchéu que a passagem dos anos, no seu caso já a aproximar-se das seis centenas, vem enfraquecendo.

Para saber do tempo que faria, dispunham os frades dominicanos e a população da bandeirinha que se mostra na fotografia e, para contar o tempo, dos diversos relógios de sol, verticais e horizontais, dispersos pelo Convento, além evidentemente do relógio mecânico que só teria sido instalado lá pelos finais do século XV, cuja maquinaria está em exposição no Claustro de D. Afonso V.


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