A Opinião de Horácio Moita Francisco

Vereador do CDS/PP

O futuro muda todas as vezes que nos voltamos ou olhamos na sua direção

Há 30 anos estava e vivia na Batalha. Contudo, devido à minha actividade profissional, de gestor de empresas, consultor e auditor externo do DAFS e do IAPMEI e de gestor e liquidatário judicial, hoje denominado administrador judicial, repartia o tempo pelo meu escritório em Lisboa, as instituições, tribunais e um pouco pelo país de norte a sul.

É problemático decifrarmos as mudanças para os próximos 30 anos, dado que o futuro muda todas as vezes que nos voltamos ou olhamos na sua direção, razão pela qual fazer futurismo é um exercício de risco, tornando-se ainda mais complexo quando olhamos, a nível global, para a pandemia da Covid19, que nos levou a uma das maiores crises sociais e económicas do pós 25 de abril.

Mas, diga-se, nesta denominada democracia, embora a data envolva algum atributo histórico, salvo o devido respeito, a envolvente social e económica a nível local e no nosso país, conforme dizia Marcelo Caetano: “Em poucas décadas reduziu-nos à indigência, ou seja, à caridade de outras nações pelo que é ridículo continuar a falar de independência nacional. Vimos alçados ao poder, pessoal do avental, na sua grande maioria, analfabetos, meninos mimados, escroques de toda a espécies que conhecemos de longa data. Dizia ainda, que a maioria não servia para criados de quarto e chegam a presidentes de câmara, deputados, administradores, ministros e até a presidentes da República”. Obviamente tinha razão.

Considerando estes factores, a estratégia, no meu modesto entender, deverá em primeiro lugar, passar por termos políticos e governantes mais sérios, sem demagogias e hipocrisias. Depois, os próximos 30 anos terão de ser alicerçados num plano de recuperação nacional económico específico, em reformas de investimentos, em reformas prioritárias; conscientes nas vertentes da valorização do ser humano, educação, cultura, social, saúde, económica, produção interna, industrialização, agricultura, ambiental - nomeadamente nos campos das energias do hidrogénio e do magnético – e digitalização, ao serviço de todos os portugueses e não dos lobbys do betão e da finança.

Este período chamado de desconfinamento Covid-19 vai levar-nos à beira da maior crise social e económica das últimas décadas, razão pela qual as prioridades para os próximos 30 anos, no nosso concelho, a nível estratégico, social, económico e político, passarão no meu modesto entender por termos o nosso concelho, para além do potencial do turismo, assente em três pilares fundamentais:

a) Termos um poder político local assente nos quatro princípios HMF, o que de todo, desde de 2013, infelizmente não temos tido. Em vez disso, estamos perante um regime antidemocrático do eu quero, posso e mando, sem qualquer respeito, quer pela maioria dos munícipes, quer pela oposição;

b) Termos a elaboração de um plano de desenvolvimento sustentado transversal, conjuntamente com o tecido social, económico e empresarial local em torno da recuperação dos estragos desta crise, social, económica, financeira e empresarial, aproveitando muito bem todos as frentes dos próximos quadros comunitários que serão cada vez mais reduzidos;

c) Termos a conclusão do saneamento básico em todo o concelho, melhoramento e requalificação de rede viária nas diversas freguesias, reflorestação efetiva das diversas zonas e seu ordenamento; conservação dos recursos hídricos; recuperação paisagística das pedreiras abandonadas e monitorização das actuais; eliminação de focos de poluição atmosférica, crescimento equilibrado do território, apoiado num plano de pormenor que resolva os constrangimentos deste PDM e que potencie o ordenamento dos espaços urbanos, industriais, florestais, agrícolas, ambientais e ecológicos, pois não desejo um crescimento desproporcionado de espaços urbanos ou industriais, que privilegie apenas o interesse de alguns e que condicione irremediavelmente o futuro.


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