A Opinião de André Loureiro

Presidente do PSD da Batalha

O conto do vigário

Na política e na atividade pública não vale tudo. Aliás, o dever ético e deontológico implica um compromisso com a verdade, um compromisso com essa questão que não é tão relativa assim. A verdade é uma, os factos são uns, unos e transparentes. Para interpretações que se desejem, elas estão à disposição dos cidadãos e colunistas de opinião, que apresentam a sua posição perante alguns desses factos. No entanto, o rigor inerente ao exercício da discussão pública deve ser transparente e não pode ser um simulacro consoante os tempos ou a vontade de alguns.

Por mais que as democracias tenham evoluído e a dimensão na qual se proporciona o desempenho de funções públicas tenha mudado, as premissas de atuação cívica e política devem respeitar um padrão mínimo de relação com a verdade. Pelo menos, é assim que interpreto e procuro orientar a minha intervenção. As frases fortes e pungentes, as fábulas que enchem o cor-de-rosa de mistério e de intriga que ultimamente temos ouvido vezes sem conta, muitas vezes porta-a-porta, na sua generalidade são contos do vigário ou de forma mais sofisticada: interpretações criativas da verdade.

É certo que a crise por que estamos a passar no mundo (e também em Portugal) é, não apenas, mas sobretudo, uma crise de comportamentos. De inflação desmesurada de contos do vigário e de défices crónicos de valores e de ética. Por outras palavras e figurativamente: os vigários multiplicam-se à velocidade da luz, a ver quem consegue ser o mais vigarista.

Também sabemos que o ambiente digital e as redes sociais abrem as portas a que se propague, de forma quase instantânea, toda e qualquer aldrabice, na maioria das vezes a coberto de páginas anónimas ou perfis falsos que nada mais procuram do que a imundice da política e servir certos interesses mais ou menos obscuros.

Não irei tentar discutir, nem sequer sugerir quem são os novos (e velhos) protagonistas e o que representam nesta abordagem ao estilo de “terra queimada”, onde o que conta é destruir tudo e todos, porque pode ser que no meio das cinzas surja de novo um redentor dos males de toda a civilização e coloque na direção correta – para certos interesses - todos os negócios municipais. Tento, somente, apresentar a minha posição – à boa maneira de um cronista – perante o estado a que alguns pretendem levar a atual campanha eleitoral autárquica. Nem há a necessidade de evocar o conceito “fake news” para que se possa falar sobre isso. Por pior que a política local esteja a evoluir, não considero, de momento, ser a maior problemática. Como sabemos, a questão principal está nos protagonistas, na sua ausência de valores e sobretudo no desespero que revelam na luta pelo poder.

Ultimamente, confesso, já nada me surpreende muito. O disparate tomou proporções que assustam qualquer um e vão desde anúncios da fuga em massa de empresas para fora do Concelho da Batalha ou que as novas competências municipais na educação e saúde estão a prejudicar as contas do município. Então e as pessoas? O município não são as pessoas, os estudantes, os utentes dos serviços de saúde, as instituições e também as empresas? E neste particular, naturalmente com erros, mas sem margem para dúvidas, a atual governação tem sido exemplar e focada em investir nos serviços essenciais à população e também apoiar as empresas, os pequenos negócios e instituições da terra. Muito haverá para fazer, mas não vamos lá com aldrabices. Com serenidade e justiça, estou certo, o Concelho da Batalha irá traçar de novo o seu rumo.

 


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