José Travaços Santos

Baú da memória

O Chafariz da Vila

Durante algum tempo ainda tive esperança que o nosso chafariz fosse reinstalado na proximidade do local onde esteve de finais do século XIX aos anos 60 do século XX.

Era um pequeno mas expressivo monumento que se enquadrava perfeitamente na nobreza daquele espaço, frente ao Mosteiro, e como este era feito da mesma pedra, o calcário, espelhava o mesmo estilo por obra da classe profissional distintiva da Batalha, a dos canteiros, que se esmerara a esculpi-lo. E era, também, uma significativa memória da Vila.

Colocado primeiro com uma forma angular foi, já nos finais dos anos 30 ou princípios dois anos 40, espalmado, ficando com o aspecto que tinha quando esta fotografia foi tirada por fotógrafos franceses, fotografia que foi posta à minha disposição pela amabilidade do conterrâneo e amigo Alfredo José Saldanha Barros, possuidor duma das maiores colecções de fotografias, publicações e de diversos objectos alusivos ao Mosteiro e à Batalha.

Sendo o chafariz durante décadas o único fornecedor de água potável à povoação era diário o corrupio das esforçadas (e sacrificadas) transportadoras de cântaros para uso próprio ou serviço, importante e indispensável, de abastecimento às casas da Vila.

Não na pia que vê com as duas belas carrancas mas noutra maior que havia em frente e mais abaixo, destinada a dessedentar o gado, era curioso ver, mesmo nas manhãs de Inverno, quem ali vinha lavar-se, muitas vezes tendo de quebrar a película gelada que cobria a água.

Que me dizem os leitores sobre a possibilidade de, por ali, se reconstruir o chafariz?

Pelo menos canteiros, artistas de comprovada qualidade, ainda existem e vários foram alunos da inesquecível Escola de Canteiros batalhense.


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