Município da Batalha - Museu da Comunidade Concelhia da Batalha

Espaço do Museu

Nuno de Santa Maria Álvares Pereira (1360-1431)

Se é verdade que o símbolo máximo da Batalha – o Mosteiro de Santa Maria da Vitória – figura em milhões de fotografias por todo o mundo, também é certo que a estátua de dimensões colossais que se impõe, ao seu lado, não deixa os visitantes indiferentes.

A estátua equestre, localizada no Largo Infante D. Henrique, presta homenagem à figura do Condestável (como era designado antigamente o chefe superior do exército) do rei D. João I.

O estratega militar – e também o III Conde de Ourém - Nuno Álvares Pereira (1360-1431), assumiu o comando das tropas portuguesas durante a crise de 1383/85 e derrotou por duas vezes - em Atoleiros e Aljubarrota - os exércitos espanhóis.

Aos dotes militares, juntava-se a espiritualidade de Nuno Alvares Pereira. Católico praticante, o estandarte que elegeu como insígnia pessoal traz as imagens do Crucificado, de Maria e dos cavaleiros S. Tiago e S. Jorge. D. Nuno patrocinou a construção de diversas igrejas e mosteiros, nomeadamente o convento do Carmo de Lisboa, onde passaria os últimos dias da sua vida, como humilde carmelita, após a morte da sua esposa.

Durante o Estado Novo foram prestadas diversas homenagens a antigos heróis portugueses bem como aos monumentos evocativos dos grandes acontecimentos da história de Portugal. A edificação da estátua equestre junto ao Mosteiro enquadra-se no contexto da exaltação dos sentimentos nacionalistas.

A ação do estratega militar Nuno Álvares Pereira, que garantiria 200 anos de independência, foi considerada, com efeito, forte razão para perpetuar a sua memória que se expressa no monumento equestre junto ao Mosteiro de Santa Maria da Vitória

A estátua foi realizada em 1961, tendo sido oferecida pela cidade de Lisboa para ser implantada na Batalha. Da autoria do escultor modernista Leopoldo Neves de Almeida (pai da célebre artista plástica Helena Almeida, falecida no ano passado), a obra é feita em bronze, assente num pedestal em pedra calcária.

Nuno Álvares Pereira é representado como herói militar. A sua atitude é bélica, de espada erguida, apoiado nos estribos, e com o tronco defendido pelo loudel, veste militar, em rotação da direita para a esquerda dando ao conjunto escultórico um efeito dinâmico. Assinala-se o detalhe de que a figura de Nuno Álvares Pereira não traz proteção na cabeça, fazendo sugerir a sua beatitude. A face frontal do pedestal contém o brasão de Nuno Álvares Pereira em relevo e, na face oposta a inscrição: “A NAÇÃO A CIDADE DE LISBOA 1968”. Nas faces laterais, as inscrições evocativas às batalhas travadas por Nuno Alvares Pereira, nomeadamente a dos Atoleiros (1384), a de Valverde e a de Aljubarrota (1385).

A cerimónia de inauguração da estátua, em 1968, contou com a presença de numerosas individualidades entre as quais o Presidente da República, Almirante Américo Tomaz, o Presidente do Conselho de Ministros, António de Oliveira Salazar, o Cardeal Patriarca de Lisboa, D. Manuel Gonçalves Cerejeira, o Ministro do Ultramar, Joaquim da Silva Cunha e o Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Vitorino França Borges.

No mês em que se celebram 379 anos da Batalha de Aljubarrota, relembramos, assim, a importante figura histórica de D. Nuno Alvares Pereira, que ditou o caminho da independência de Portugal.

Fontes: http://www.vatican.va; https://arquivos.rtp.pt/; Revista Equitação n.º 61 (2006)

 

Visita do Presidente da Câmara de Lisboa, António Vitorino França Borges, ao atelier do escultor Leopoldo de Almeida quando executava a estátua equestre de D. Nuno Álvares Pereira. Imagem pertencente ao Arquivo da Câmara Municipal de Lisboa, recolhida em: https://auren.blogs.sapo.pt, de Carlos Gomes

 


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