A Opinião de António Lucas

Ex-presidente do Município da Batalha

Novamente os incêndios florestais

Torno a escrever sobre este tema pela sua importância, manifesta atualidade, previsível agravamento do estado do tempo e por pouco ou nada se fazer em termos estruturais para se acabar com este flagelo, que irá atacar cada vez mais, e sem dó nem piedade, o sul da Europa em geral e Portugal em particular.

Continuo a pensar que só existe uma forma de minimizarmos fortemente os riscos de incêndio: o ordenamento correto da floresta e uma gestão florestal profissional e competente.

Como já referi várias vezes, a legislação está adaptada a realidade portuguesa desde o início de 2014, através de uma alteração no consulado de Assunção Cristãs, como ministra da Agricultura. Posteriormente tem vindo a ser melhorada, reunindo atualmente todas as condições para a implementação de projetos florestais ambiental e economicamente sustentáveis.

É possível e ainda mais desejável que quem tem responsabilidades na gestão do território assuma essas responsabilidades de forma responsável e profissional, protegendo o que tem a sua guarda - refiro-me concretamente à câmara municipal e às associações de compartes de baldios.

Ambas têm todas as condições para liderar projetos de gestão florestal, em vastos territórios do concelho, tornando a floresta de minifúndio rentável para os seus proprietários e, acima de tudo, sustentável ambientalmente e um forte adversário a ocorrência de incêndios florestais.

Os mecanismos legais e financeiros a disposição são diversos, basta tão só a elaboração em projetos bem instruídos e fundamentados. Dá trabalho, claro que dá, mas foi com esse compromisso que todos foram eleitos.

Em termos práticos e partindo da base dos baldios, que serão mais de 1.000 hectares nas freguesias de Reguengo do Fetal e São Mamede, juntando a Câmara Municipal, a Comissão de Compartes da Freguesia do Reguengo do Fetal e a Junta de Freguesia de São Mamede, ficar-se-ia em condições de avançar com um projeto de grande envergadura, ou então com dois mais pequenos, mas com áreas igualmente sustentáveis, com mais de 500 hectares cada. A estas áreas dos compartes juntar-se-iam facilmente muitos privados, com terrenos florestais que confinam com os baldios. Eu seria um deles, aqui deixando desde já a minha manifestação de disponibilidade.

Estes condomínios florestais seriam tecnicamente estruturados para funcionarem como barreiras corta fogo, mas ao mesmo tempo economicamente sustentáveis, gerando receitas adequadas para cobertura de gastos e a partir de determinadas fases receita para os proprietários das parcelas inseridas nos projetos. A paisagem desordenada desapareceria e passaríamos a ter uma paisagem florestal corretamente ordenada, auto protegida dos incêndios florestais, retentora de CO2 e economicamente rentável.

O paradigma mudaria, daqui a uma década acabaria o negócio dos fogos florestais e começaria o negócio do CO2, da madeira de qualidade, do leite, da carne e dos queijos produzidos pelos rebanhos existentes nestas zonas florestais, da caça, da apicultura, etc., mas acima de tudo reduzir-se-ia fortemente o risco de incêndio e melhorar-se-ia o ambiente.

Finalmente, o Concelho da Batalha poderia ser um exemplo e caminhar depressa no sentido de atingir mais rapidamente a meta de carbono 0, imposta e bem pela União Europeia.

Aqui fica o desafio para que contribuamos para um Concelho da Batalha cada vez melhor.

 


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