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A nossa velha Europa

A propósito da comemoração, em março pretérito, do 60º aniversário do Tratado de Roma que, formalmente, deu início à criação da atual União Europeia, apetece-nos tecer breves comentários sobre este organismo, na nossa condição de meros cidadãos atentos, procurando mantermo-nos minimamente informados. Todavia, para melhor compreendermos o que esteve na origem da criação da União europeia, cremos ser útil recuarmos um bocado no tempo. Talvez mesmo uns milénios.

Dos cinco continentes que compõem o nosso planeta, a Europa é o segundo mais pequeno, mas é também o segundo em número de países (50) e o terceiro em população. Em termos civilizacionais, a Europa, será, provavelmente, o continente que menos hiatos sofreu, especialmente depois das civilizações grega e romana, pois poderá afirmar- se que, após estas, nunca mais deixou de progredir, pelo menos em termos de ciência, cultura e tecnologia, apesar das “trevas” da época medieval.

Houve outro aspeto em que também continuou a progredir, neste caso de forma bastante negativa, devido às sucessivas guerras, quase sempre tendo em vista a expansão territorial dos seus países, embora o antagonismo das religiões também tenha sido responsável por algumas bem sangrentas. E se, até finais do século XIX, essas guerras (centenas, ao longo dos séculos) foram maioritariamente intestinas, por quase todas confinadas ao próprio continente, no século XX este paradigma foi radicalmente alterado, com a deflagração de duas guerras mundiais: 1ª, de 1914 a 1918; 2ª, de 1939 a 1945, com a particularidade de ambas terem sido desencadeadas pelo mesmo país europeu, a Alemanha. Em especial a 2ª, provocou dezenas de milhões de mortos em todos os continentes, para além da grande alteração do mapa geopolítico, com várias modificações de fronteiras e uma destruição apocalíptica, em particular na Europa.

Findo este segundo conflito, quase planetário, alguns políticos europeus mais clarividentes concluíram que era imperativo mudar de mentalidades e de rumo, sob pena da velha Europa se vir a transformar num caos permanente e sangrento que, no limite, poderia levar à sua completa aniquilação. Conscientes de que o diálogo e a tolerância eram os caminhos a seguir, em 1950, seis países dão um passo de gigante no sentido desse entendimento: a própria Alemanha, a Bélgica, a França, a Itália, o Luxemburgo e a Holanda criam a Comunidade Europeia do Carvão e do Aço (CECA). Este é o início da saga que, em 1957, leva à fundação, ainda por aqueles seis países, da Comunidade Económica Europeia (CEE), cujos fundamentos estão vertidos no “Tratado de Roma”.

O relativo êxito desta embrionária CEE a “seis”, especialmente em termos económicos entre si, leva outros estados europeus a interessarem-se e a manifestar o desejo de nela se integrarem. Através das concomitantes negociações, em 1973 aderem mais três países: Dinamarca, Irlanda e Reino Unido; em 1981 entra a Grécia; em 1987 aderem Portugal e Espanha e assim sucessivamente, até chegarmos ao número atual de 27 países, embora dentro de dois anos saia o Reino Unido, mas entretanto outros já estão à porta para entrar, designadamente pequenos países da região dos Balcãs, saídos do desmembramento da Ex Jugoslávia, consumado na década de 1990.

Em concreto, a base da criação da atual União Europeia tinha como primeiro objetivo pôr termo às frequentes guerras entre países vizinhos, culminadas na devastadora 2ª Guerra Mundial. Naturalmente que este propósito inicial foi depois evoluindo para outros patamares, incluindo a ajuda monetária aos países mais pobres, com destaque para os do Europa do Sul, sendo Portugal um desses grandes beneficiados, embora, como se sabe, muito pouco soube aproveitar essa benesse. Mas, como igualmente sabemos, nem tudo tem sido “rosas” na evolução da “nossa” União Europeia, de tal modo que hoje é contestada por grande parte das populações de muitos países (o nosso incluído), o que já está a levar à saída do primeiro (Reino Unido) e veremos se outros não se seguirão.


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