António Lucas

Ex-presidente da Câmara da Batalha

Natal, solidariedade e democracia

Estamos no último mês do ano, mês do Natal, onde se apela mais à solidariedade e invariavelmente onde esse espírito mais aparece, através de diversas ações, quer individuais, quer coletivas, mas todas com o mesmo sentido de amizade e proximidade aos menos afortunados da nossa sociedade.

Este deveria ser também o espírito da democracia, governo do povo e para o povo, sempre com o primado do interesse do povo, quer em período de eleições, quer fora dele, quer no mês do Natal, quer nos restantes onze meses de cada ano.

A democracia exerce-se através da proximidade ao povo, da resolução dos problemas do povo, com o mínimo de meios possível em gastos supérfluos, para que sobre o máximo possível para o bem do povo.

E estar ao lado do povo, passa por ouvi-lo, atendê-lo, dar-lhe atenção e acima de tudo contribuir no dia a dia para a resolução dos seus problemas. Por vezes muito pequenos, à dimensão de uma freguesia, de um concelho, de uma região ou de um país, mas muito grandes para o cidadão que tem essa dificuldade.

Quanto maior for a proximidade do poder e das instituições aos cidadãos, maior será o conhecimento dos seus maiores problemas e assim maior será a probabilidade de serem resolvidos e bem resolvidos. Para isso, será fundamental o envolvimento do maior número possível de cidadãos, de instituições, de grupos e também para isso têm surgido os orçamentos participativos locais e nacionais e outras formas de tornar a democracia mais direta e mais participada pelo povo, ou seja, pelo objeto final dessa mesma democracia.

Só assim será possível evitar os extremismos, sejam eles de direita ou de esquerda, cada vez com mais força na Europa e no mundo. Veja-se o resultado das eleições no Brasil, na Itália, nalguns países do norte da Europa ou o que poderá acontecer nas futuras eleições francesas. Estes resultados mais não são do que o resultado do afastamento e do descrédito que o povo vai demonstrando, pela ausência de proximidade e por diversos maus exemplos que o povo vai constatando.

Brevemente teremos eleições europeias, prevendo-se uma abstenção recorde, sinal do enorme afastamento do povo em relação às instituições europeias, que muito propalam a Europa dos cidadãos, mas onde vivem muitos milhares de eurocratas, onde vivem bem à custa do povo, mas parecendo preocupar-se mais com os seus interesses pessoais ou de grupo, do que com os interesses do povo que os sustenta. Estas instituições e não só, estão demasiado caras, para o que de bom fazem ou deveriam fazer pelo povo, levando a que se comece a questionar o seu interesse e levando a resultados como o acontecido na Grã Bretanha com o célebre Brexit, que trará custos enormes para os ingleses em particular e para os europeus em geral.

Se o espírito natalício fosse praticado todo o ano, por todos, no dia a dia, na nossa vida pessoal, profissional, associativa, política, etc, seria tudo bem diferente e certamente viveríamos bem melhor, geriríamos muito melhor os recursos disponíveis, que seriam melhor direcionados para onde fazem mais falta e para onde produziriam melhores efeitos.

Quero aproveitar também esta via para desejar um Bom Natal a todos com muita paz, saúde e amor.  


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