Museus para a igualdade: diversidade e inclusão

Os museus iniciaram o ano com o anúncio do ICOM (Conselho Internacional dos Museus) para o tema da edição 2020 do Dia Internacional dos Museus.

“Museus para a Igualdade: Diversidade e Inclusão” será, assim, a temática que norteará as comemorações, a decorrer em maio, do presente ano, bem como as propostas de programação cultural destas instituições culturais.

Não é a primeira vez que um organismo internacional adota esta matéria para a discussão no panorama das instituições culturais. Recorde-se que, em 2015, a Organização Mundial do Turismo definiu como tema “Turismo para Todos – Promover a Acessibilidade Universal” para as comemorações do Dia Mundial do Turismo (27 de setembro).

A escolha destes temas, assim como os que se prendem com a sustentabilidade ambiental têm, cada vez mais, estado em cima da mesa destes organismos.

Se, outrora, a preocupação no domínio dos grandes museus internacionais assentava essencialmente em matérias de conservação e investigação, atualmente as questões como a educação, a ação social e a inclusão, se discutem cada vez mais nestes espaços. Tal fenómeno é revelador de que os museus se encontram mais abertos para os contextos onde estão inseridos e para as mudanças sociais e ambientais que se sucedem a grande velocidade.

Recorde-se o cenário do pós Segunda Guerra Mundial e a tentativa de reunificação das nações depois das feridas deixadas pelo grande conflito que destruiu tanto património. Foi este cenário que deu lugar, mais tarde, à criação de organismos como a UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), e, consequentemente, ao ICOM.

Recordem-se, também, os movimentos e as manifestações dos anos 60 do século XX e a afirmação das minorias, ditando a mudança no pensamento museológico e guiando os primeiros caminhos da Nova Museologia (mais participativa socialmente e acessível as camadas não elitistas).

No cenário atual, as matérias em torno da igualdade, da inclusão e dos movimentos sociais (de que as migrações e os refugiados são alguns exemplos) são discutidas e repensadas, cabendo aos museus e demais instituições culturais uma boa parte dessa discussão e participação.

No tocante, em concreto, à prática da acessibilidade, é visível a aposta municipal nos seus equipamentos e nas suas ações. Ao longo dos seus anos de atividade, o MCCB, tem recebido diversas equipas técnicas de outros municípios, bem como investigadores, que, tendo este museu como uma referência, pretendem conhecer as boas práticas disponibilizadas.

Tratando-se de um trabalho inacabado e em permanente melhoria, recordamos a iniciativa promovida pelo Município da Batalha, através do Museu, no do Dia Mundial do Braille, assinalado a 4 de janeiro. A atividade trouxe diversos associados da ACAPO (Associação dos Cegos e Amblíopes de Portugal) – Delegação de Leiria a participar num circuito sensorial pela vila. A atividade pretendeu, não só dar a conhecer o património a pessoas que nem sempre têm ocasião de o usufruir, como potenciar experiências sensoriais em vários locais (Museu, Igreja Matriz, Pelourinho, Capelas Imperfeitas, estátuas, jardins…). A atividade visou também ouvir as propostas e sugestões de melhoria por parte de pessoas cegas e com baixa visão, para a consideração de eventuais intervenções que potenciem o bom usufruto de todos os que visitam a vila.

Com esta reflexão, queremos reforçar que os museus são instituições vivas e que têm a função de ser mediadores entre património cultural e as pessoas, envolvendo-as e intervindo na ação cívica.


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