António Lucas

Ex-presidente da Câmara Municipal da Batalha

Mudança de opinião e trabalho de casa

Nos últimos dias, a pretexto da reposição do tempo de serviço perdido pelos professores durante a intervenção da Troika, temos assistido a avanços e recuos dos políticos, no caso concreto, especialmente, do PSD e do CDS. Bem como a uma posição de força com um forte cunho de oportunidade (oportunismo), por parte do primeiro-ministro.

A primeira conclusão que podemos retirar disto tudo é que ninguém apresenta contas certas, para o efeito prático da reposição do tempo de serviço dos professores. A segunda é que uma parte dos partidos não fizeram o trabalho de casa e não estudaram a matéria.

A terceira é que a concretizar-se esta operação para os professores, é preciso saber o acontecerá com os outros funcionários públicos que estão na mesma situação. A quarta é saber exatamente quanto custará esta operação hoje e no futuro e para todos os que estejam na mesma situação.

O primeiro-ministro terá que apresentar as contas exatas, se ainda não o fez, tal como parece. Os partidos de esquerda deveriam preocupar-se com a forma como se vai pagar, mas, sem surpresa, essa nunca foi preocupação deles.

Os partidos de centro direita jamais deveriam tomar qualquer posição sem o trabalho de casa bem feito, sabendo exatamente, e antes de qualquer posição, quais os gastos que a medida implica e quando e como serão pagos.

O partido de governo e o governo já deveriam ter apresentado as contas com os impactos destas medidas, para que todos soubéssemos do que se trata, como se paga, bem como o impacto nos restantes funcionários públicos que estejam em igual posição.

Em termos práticos, esta situação vem mais uma vez descredibilizar os políticos junto da opinião pública. As conclusões são óbvias e os políticos não aprendem: aumento da abstenção nas eleições e nos próximos tempos; o crescimento da extrema direita em diversos países da Europa, felizmente que isso ainda não aconteceu em Portugal; e o descrédito cada vez maior dos políticos e o afastamento da política das pessoas com maior valor e capacidade.

Continuo a dizer e a pensar que fazer política, foi, é e será uma atividade muito nobre, desde que exercida com isenção, independência, honestidade e sempre ao serviço das pessoas e para as pessoas. Infelizmente, muitas vezes os que exercem atividade política acham-se tão importantes que pensam que podem fazer tudo, esbanjando o dinheiro de todos em atividades menos nobres, não cumprindo com os compromissos assumidos, atrapalhando a vida dos cidadãos em vez de a facilitar, tratando os colaboradores como criados e não como efetivos colaboradores.

Tudo isto descredibiliza a política e especialmente os políticos.


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