António Lucas

Ex-presidente da câmara e assembleia municipais

Motivação das equipas

Está a iniciar-se mais uma época desportiva dos clubes em geral, e dos da Batalha em particular. Escrevo particularmente em relação àqueles que se dedicam a prática desportiva dos escalões mais jovens e cujas preocupações assentam na ocupação salutar de crianças e jovens e no espírito de equipa e socialização das crianças e jovens.

Um deles e sem duvida a UDB, com mais de 300 miúdos e jovens a praticarem futebol e também, embora em menor número, o ténis. A grande preocupação de dirigentes e treinadores não é o resultado desportivo, mas muito mais o espírito de equipa e o convívio entre os vários escalões e as outras equipas que jogam com os nossos miúdos. Se o resultado desportivo aparecer, tanto melhor, se não aparecer, não existe qualquer problema, porque não é nem será o objetivo final. O que é mesmo fundamental é a ocupação das crianças e jovens com atividades salutares, que libertem as energias e potenciem o espírito de equipa e de grupo, a coesão e a solidariedade. Por aqui começam grandes amizades, que muita vezes duram a vida inteira.

Para que este desiderato se atinja é fundamental o espírito de equipa entre dirigentes, treinadores e pais, todos envolvidos no mesmo objetivo de colaborarem no desenvolvimento equilibrado das nossas crianças e jovens, dando importância ao que é importante e desvalorizando o menos importante, nomeadamente os resultados desportivos. Todos gostamos de ganhar, nem que seja a jogar a feijões, mas algumas derrotas ensinam-nos mais que certas vitórias. E aqui o papel dos pais e fundamental, até porque aqueles que pensam ter um Messi ou um Ronaldo em casa, a probabilidade maior e a de terem uma grande desilusão. E será sempre melhor ajudarem a crescer um grande homem ou uma grande mulher do que um grande jogar de futebol que moralmente não seja grande coisa. Se for possível criarmos um grande homem ou uma grande mulher que sejam respeitados pela sua valia profissional, humana e como pessoas verticais, estará aí uma grande vitória. Se a seguir for possível serem também grandes desportistas, tanto melhor, mas este não pode nem deve ser o objetivo primeiro.

Por outro lado, devemos ter a preocupação de dar exatamente as mesmas oportunidades aqueles e aquelas que tem mais e menos jeito para a prática do desporto, porque os futebolistas ou profissionais de excelência precisam de colaboradores que com eles trabalhem e que contribuam para os resultados desportivos de um ou outro desportista excecional. Há sempre um rosto que se destaca em qualquer desporto ou atividade profissional, mas temos tendência a esquecer as equipas que contribuem decisivamente para que o rosto mais visível recolha os louros do trabalho de todos.

Isto acontece no desporto e na vida real. Na vida real das empresas e das organizações. Não raras vezes existem pseudo líderes que por via do trabalho e do esforço e dedicação das suas equipas, usufruem de uma imagem de excelência, passando sempre a imagem de elevados especialistas e trabalhadores, mas o trabalho é feito por outros, que no anonimato potenciam o realce do líder. Também se assiste com frequência a críticas injustas, muitas vezes em público, dos ditos líderes aos seus colaboradores mais diretos, porque algo terá corrido menos bem, e se bem escalpelizado o problema chegar-se-ia a conclusão que a culpa seria do líder, mas ao líder nunca pode ser assacada qualquer culpa, porque ele sabe tudo e é intocável. Infelizmente esta imagem é mais vulgar do que pensaríamos que fosse. Um bom líder é aquele que se junta à equipa e a apoia, especialmente nos maus momentos, que elogia a equipa em público e que nos casos em que tiver que criticar, o faz apenas em privado.

Esta forma de estar, em que a liderança é forte e leal, começa por se apreender quando somos crianças e o desporto pode fazer a diferença e contribuir para que amanhã tenhamos grandes líderes. E isto que os dirigentes e treinadores de crianças e jovens procuram transmitir. Esta mentalidade de equipa, em que todos remam no mesmo sentido e se mantêm unidos nos bons e maus momentos, sem procurarem passar a bola para o vizinho nos maus resultados e maximizar bem para eles individualmente os bons resultados.

Tudo isto se aplica ao desporto, às empresas, às entidades públicas e à vida de cada um.


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