“Ministério está a considerar proposta de construção de centro de saúde”

O presidente da Câmara da Batalha, Paulo Batista Santos, explica nesta entrevista por que é importante investir mais de 150 mil euros nas festas e revela novos investimentos na área do turismo. A meio do atual mandato, não esclarece se pretende candidatar-se pela terceira vez

As Festas da Batalha assumem-se como uma das mais importantes da região centro?

A ideia é mantermos o registo dos últimos anos de uma das festas mais importantes da região centro. O nosso objetivo é consolidar a ideia da Batalha como um espaço de grandes eventos, que possam atrair mais e novos públicos, e colher frutos de parcerias que possam levar a marca Batalha além das nossas fronteiras. Neste contexto, é muito importante a parceria com os parceiros dos média e entidades internacionais.

 

O investimento tem reflexos no turismo?

O valor orçamentado para as Festas da Batalha é de 150/160 mil euros. É um valor com retorno, que resulta de uma aposta que vai além da divulgação apenas o evento, mas antes investir dentro da estratégia de comunicação externa do ponto de vista turístico.

 

Qual é a importância deste evento?

Este evento é o maior do concelho, do ponto de vista cultural, desportivo, económico, social, e projeta a marca Batalha para diversos cantos do mundo. Conseguimos esse efeito com artistas internacionais, com o festival internacional de folclore, que ajudam muito na criação desta imagem. Mas as outras atividades que integram o programa, do teatro ao desporto, também contribuem para alimentar a ideia de um território forte em diferentes dimensões, fazendo a marca Batalha perdurar durante o ano. As Festas da Batalha recuperaram a grandiosidade doutras épocas, quando eram umas grandes festas da região centro.

 

Qual é o esforço financeiro do município nos grandes eventos anuais?

Desde que começámos a execução do Portugal 2020, em 2017, temos uma comparticipação na ordem dos 85% nos grandes eventos que fazemos de natureza imaterial. O peso para o orçamento municipal destas atividades é relatividade residual. Comparando com a qualidade e notoriedade é um investimento relativamente baixo, porque acrescentam e prolongam a imagem do concelho. É também uma forma de ajudar a economia local, de projetar o nosso território, e de aproximarmos as nossas gentes da cultura, da tradição, da gastronomia, que é muito importante serem potenciadas e vividas pelas pessoas da Batalha.

 

Na presença de turistas, o concelho também já regista uma diminuição?

No número de turistas sente-se algum ajustamento. O país está a registar um ajustamento e há de chegar o momento em que o turismo não é 'tão generoso' enquanto atividade económica para todos os pontos do país. Portanto, a Batalha tem de se afirmar, daí a importância destas iniciativas para que possamos captar novos públicos, e fazer que as pessoas venham ao concelho não apenas pela questão monumental, mas também pela gastronomia, tradições e pela natureza. E queremos aproveitar o pretexto das Festas da Batalha e dos outros eventos que realizamos durante o ano para ajudar a economia local a compensar esse ligeiro ajustamento em baixa que estamos a notar no país e na região.

 

É, portanto, importante diversificar?

Além do turismo cultural e patrimonial, o turismo de natureza tem tido expressão crescente no concelho, o mesmo sucedendo com o turismo religioso, em que a procissão e a Festa de Nossa Senhora do Fetal é um momento importante. O turismo inclusivo é uma marca da Batalha, um território diferenciador, nacional e internacionalmente reconhecido. E vamos receber mais eventos internacionais que olham para o nosso território como um bom exemplo ao nível da inclusão.

 

Os empresários acompanham esta estratégia municipal?

A Batalha beneficia hoje muito da atividade económica que resulta do trabalho dos empresários e de um associativismo muito dinâmico. Uma boa parte daquilo que temos conseguido deve-se ao trabalho dos empresários como têm essa grande capacidade de adaptação ao mercado. O alojamento local tem tido um crescimento muito considerável. A oferta turística na Batalha mais que duplicou a capacidade de alojamento nos últimos quatro/cinco anos. Isto é muito importante, porque passámos de ter, essencialmente, turismo de passagem para termos também turismo de fixação. E, como os empresários, as associações que connosco trabalham nestas áreas, perceberam que é muito importante que tenhamos oferta turística para além do mosteiro.

 

Há, portanto, espaço para novas unidades hoteleiras?

Nos temos em apreciação dois projetos de natureza hoteleira e vários de alojamento local. Hoje a Batalha comporta seguramente mais uma resposta de hotelaria, num segmento médio-alto, que possa responder a ao importante nicho de mercado que é o turismo de negócios. Temos recebido diversos eventos empresariais nas unidades hoteleiras da Batalha e não acontecem mais porque não temos capacidade hoteleira. Os congressos e feiras, por exemplo através da Exposalão, atividades e eventos desportivos, podem ser relevantes no período sazonal de menor pressão turística. Para isso, precisamos de mais uma unidade hoteleira. Mas também não queremos massificar. Temos Fátima e Nazaré com grande capacidade e, portanto, a massificação no concelho do ponto de vista do alojamento não é necessária. O importante é a qualificação da resposta. O alojamento local é uma resposta que muita gente procura e no concelho é boa e diversificada, a mais baixo preço. A hotelaria atual está no segmento alto, com preços ligeiramente acima do mercado. É importante existir um segmento um pouco mais baixo, de forma a podermos chegar também o turismo de negócios.

 

Onde poderá ser construída uma nova unidade hoteleira?

Estamos a trabalhar com empresários, por exemplo na transformação dos atuais depósitos do Instituto da Vinha e do Vinho, para fins turísticos e hoteleiros. Fazíamos dois em um: requalificávamos um espaço degradado e criávamos uma atividade empresarial importante para o concelho. O avanço deste processo depende do Estado (Direção Geral do Tesouro e Finanças) e não tem sido fácil chegar a um acordo final. É um processo que se arrasta sobre um bom projeto. É uma questão que queremos resolver, nem que para isso seja preciso o município adquirir o espaço. E depois concessioná-lo a quem o queira explorar.

 

Está a meio deste mandato. Uma das áreas que privilegiou foi a educação.

Na área da educação, a Batalha tinha um problema estrutural, que resolvemos. O município entendeu como prioritário elevar a escola para um patamar igual ao dos concelhos vizinhos e das regiões mais ricas do país. Hoje temos a Carta Educativa e o Centro Escolar do Reguengo do Fetal concretizados (os centros escolares da Batalha e São Mamede já tinham infraestruturas novas e modernas) e requalificámos o Agrupamento de Escolas da Batalha. Hoje o parque escolar permite que as crianças tenham condições de aprendizagem de excelência. Para isso contribuiu muito o processo de descentralização, com novas competências atribuídas ao município, o que facilitou a dotação da escola dos meios necessários para desenvolver projetos inovadores. Mas o mérito é quase todo da escola, porque os professores e a comunidade educativa souberam responder a esta aposta.

 

A proteção civil, nomeadamente os bombeiros, também têm merecido a atenção do município.

O dia do município é dedicado ao voluntariado. Temos que reconhecer, incentivar e premiar esta prática. Os nossos bombeiros têm tido um trabalho notável naquilo que é o seu crescimento, a preparação para as missões que lhes estão confiadas, mas tem sido difícil profissionalizar e, portanto, temos que dar esse contributo. É no dispositivo de voluntariado que está um bom grau de prontidão para estas missões (saúde, socorro, fogos florestais e urbanos). Não há dispositivo profissional ou militarizado que consiga resolver a dimensão destes problemas que temos no nosso país.

 

Na área da saúde, quer fazer como na educação?

Quantos à competência e intervenção do município na área da saúde, o processo será concluído em setembro. Se os órgãos municipais confirmarem, a partir de setembro a autarquia tem competências na área da saúde. Faço muito um paralelismo com educação [reabilitação da escola ficou fora das opções da Parque Escolar]: o centro de saúde, que é de primeira geração, está hoje manifestamente desatualizado face às necessidades dos cidadãos, e quanto à instalação de meios complementares de diagnóstico que evitariam que muitos dos cidadãos fossem encaminhados para outras respostas, nomeadamente hospitalares. Temos muita vontade em contribuir para que seja melhorado, modernizado, em colaboração com a Unidade de Saúde Familiar (USF).

 

E haverá extensão de saúde na Golpilheira?

Quantos às extensões das USF, são definidas sempre pela Administração Regional de Saúde e pelo Ministério da Saúde. Foi isso que contratualizámos - aí a câmara municipal não tem qualquer intervenção. Há uns anos optámos por conferir essa tarefa à USF, que tem a gestão e a 'concessão' da saúde no concelho, e faz um trabalho notável e precisa de meios. A tendência é concentrar as respostas de saúde para criar condições para alargar os cuidados de saúde primários, descomprimindo muito as urgências hospitalares, e que estes estabelecimentos possam dar uma resposta a uma boa parte dos problemas dos cidadãos. A ideia não é espalhar extensões de saúde pelo concelho.

 

O município quer construir um novo centro de saúde?

A câmara da Batalha, conforme já sinalizou ao Ministério da Saúde, tem uma localização para construir um novo centro de saúde, que no caso da Batalha é também um espaço de formação de médicos, que queremos que seja de toda a região centro, e isso para nós é importante. É um terreno na vila Batalha, não municipal, mas também temos alguns do município. Sinalizámos isso ao Ministério da Saúde e sei que a nossa proposta está a ser considerada. E se isso acontecer faremos um projeto para um novo estabelecimento de saúde. A estimativa orçamental de uma obra desta natureza é de 1,2 milhões de euros, com candidatura a fundos comunitários, com uma taxa de incentivo que pode ir dos 75 aos 85%. Eu creio que era um bom projeto para a Batalha. Pretendo resolver esta questão na segunda parte do mandato, não digo fazê-lo. Era importante fazê-lo, pelos cidadãos da Batalha e pelo fluxo turístico de pelo menos meio milhão de pessoas por ano, que tem um potencial de sinistralidade que os cuidados de saúde primários podem resolver.

 

Daqui a três anos vamos estar aqui os dois, nas mesmas funções, a conversar?

Não sei. A minha perspetiva é esta: eu espero que o Carlos esteja, mas quando nos candidatamos temos que ter a humildade democrática de pensar que é por um mandato. É isso que estou a fazer e ainda temos muitos projetos que queremos fazer até ao final do mandato.

 


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