Ana Ribeiro

Médica Interna de Medicina Geral e Familiar USF Condestável

Menopausa

A menopausa é um processo fisiológico que marca o final da vida reprodutiva da mulher e o seu diagnóstico é feito após 12 meses de ausência de menstruação. Pode ser espontânea (natural) ou secundária (consequência de tratamentos como quimioterapia, radioterapia, cirurgia que envolva a remoção dos ovários e outros fatores externos).

Ocorre habitualmente entre os 45 e os 55 anos, podendo variar em função de diversos fatores genéticos e comportamentais.

A menopausa é considerada precoce, quando ocorre entre os 40 e os 45 anos e tardia após os 55 anos. A cessação da função ovárica antes dos 40 anos designa-se por Insuficiência Ovárica Prematura.

O diagnóstico de menopausa é clínico, não devendo ser realizados doseamentos hormonais por rotina, após os 45 anos.

As alterações fisiológicas da menopausa podem afetar de forma variável a qualidade de vida da mulher. Os sintomas surgem devido à diminuição da produção de estrogénios e podem dividir-se em sintomas agudos (alteração do padrão menstrual, episódios súbitos e transitórios de sensação de calor na extremidade superior do corpo, associada a vermelhidão da face, pescoço e tórax, insónia e irritabilidade), subagudos (atrofia vaginal, que pode manifestar-se por prurido e ardor, diminuição da lubrificação vaginal e alterações cutâneas) e crónicos (osteoporose, doença cardiovascular e alterações cognitivas).

A adoção de um estilo de vida saudável, com uma dieta pobre em gorduras e rica em cálcio, a manutenção de um peso adequado, a realização de exercício físico de forma regular e a evicção de tabaco, álcool e cafeína em excesso pode, potencialmente, melhorar a sintomatologia e os problemas de saúde associados a esta fase da vida.

A constatação de que a sintomatologia se associa a uma diminuição dos níveis de estrogénios, levou à sua utilização como terapêutica de eleição. No entanto, deve sempre ser avaliada a necessidade de associação de progesterona ao tratamento.

As principais indicações para utilização de terapêutica hormonal são os sintomas vasomotores moderados a graves, a síndrome genitourinária e insuficiência ovárica prematura. Os benefícios da terapêutica hormonal superam os riscos em mulheres sintomáticas saudáveis, sem contraindicações e com menopausa recente.

A participação da paciente na decisão de realizar ou não terapêutica hormonal é fundamental, após esclarecimento dos riscos e benefícios pelo profissional de saúde. A escolha do tratamento deverá ter em conta a sua preferência, a intensidade dos sintomas e a presença de comorbilidades.

A terapêutica hormonal pode ser administrada por via oral, transdérmica ou tópica (vaginal).

As contraindicações absolutas ao uso de estrogénios na menopausa são: a hemorragia genital não esclarecida; o cancro da mama ou outra neoplasia hormonodependente; antecedentes ou história atual de tromboembolismo venoso ou arterial (Enfarte Agudo do Miocárdio ou Acidente Vascular Cerebral); patologia hepática; gravidez e hipersensibilidade à substância ativa ou a qualquer um dos excipientes.

Mulheres com contraindicação à utilização de terapêutica hormonal, ou que simplesmente não pretendam fazer este tratamento, poderão optar por controlar a sintomatologia com métodos alternativos. A terapêutica não hormonal inclui alterações de estilo de vida, técnicas de relaxamento, fármacos e suplementos alimentares.

Opções terapêuticas como hidratantes e lubrificantes podem ser aconselhadas para alívio de sintomas como a secura vaginal e dispareunia, nestas mulheres.


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