Município da Batalha - Museu da Comunidade Concelhia da Batalha

Espaço do Museu - os objetos que nos cederam

Máquina de escrever Underwood – empréstimo de Maria José Gaspar

O Laboratório da Memória Futura do MCCB exibe uma máquina de escrever da lendária marca Underwood, propriedade de Maria José Gaspar.

As máquinas de escrever tiveram um lugar de grande importância no período da I Guerra Mundial, sobretudo em contextos laboral e doméstico, e para correspondentes de guerra. A utilização da máquina de escrever foi também fundamental na emancipação feminina, possibilitando às mulheres o ingresso no mercado de trabalho, em especial nos escritórios.

A Underwood era a favorita de profissionais em todos os cantos do mundo na primeira metade do século XX. Os seus modelos foram eleitos por grandes ícones da cultura como Orson Welles, Clarice Lispector ou Alfred Hitchcock.

 

O empréstimo de Maria José Gaspar

A relação do MCCB com a nossa amiga Maria José já vem de longa data. A antiga professora de ensino primário colaborou, de forma muito ativa, na exposição “O Ensino da Batalha”, que teve lugar no museu.

Maria José recebeu a máquina de escrever pelas mãos do seu pai. Filha única, recusou o desejo de seu pai em que integrasse o Magistério, na década de 1960, conhecendo as condições bastante precárias em que viviam os professores. A máquina de escrever permitir-lhe-ia praticar datilografia, e, assim, concorrer à Caixa de Previdência, para a qual era necessário um exame. No seu horizonte, vislumbrava ainda a possibilidade de cursar Belas Artes, em Lisboa, ou de ser educadora de infância.

Nada disto aconteceu e quiseram as circunstâncias da vida que se mantivesse junto da família, razão que a levou a ir para Moçambique, em 1964, onde fora destacado o seu pai (militar). Ali, ficou mais próxima do seu futuro marido - também militar -, a prestar serviço na Guiné.

Regressada a Portugal e, após nova temporada em África acompanhando o marido, acabou por integrar o Magistério, em Leiria, já no início da década de 1970, sendo então as condições laborais mais favoráveis. Ainda assim, era bem visível a pobreza em que viviam as crianças. Chegou mesmo a levar um aquecedor para a escola para dar algum conforto aos pés frios e molhados dos seus alunos.

Pouco tempo mais tarde, acompanharia o marido em Timor-Leste. Também ali lecionou, regressando Portugal em 1975, pouco antes da invasão indonésia.

Numa vida dedicada ao ensino, juntam-se as funções na delegação escolar da Batalha, onde chegou a ser delegada, na década de 1990.

Maria José teve outras máquinas de escrever, mas a que destacamos tem um lugar especial no seu percurso. Seria bom poder escrever a sua fascinante história de vida da professora no teclado da sua Underwood.

Assim se constrói o Museu de Todos e se completa a vasta história da Batalha, sendo Maria José uma colaboradora fundamental,

Recordamos que o museu abre de quarta-feira a domingo, das 10h às 13h e das 14h às 18h. Siga-nos também nas nossas redes sociais (Facebook: MCCB – O museu de todos) e acompanhe as nossas atividades.

 


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