Carlos Ferreira

Editorial

A Lua para a minha mulher

Os dias estão a ficar mais longos e a Lua mais longe. As contas feitas pelos cientistas deixaram os poetas tristes. Afinal, para que servem os dias mais longos na Terra, se cada vez menos se verá a Lua?

Hoje o dia tem exatamente: 23h 56m 4,09s. O afastamento da Lua de, mais ou menos, meio pulgar por ano (3,82 centímetros) levará ao crescimento dos dias no futuro. Mas a Lua será mais minguante e quando cheia parecerá, como o copo, meio cheia ou meio vazia.

Mas, ainda assim, é melhor do que há 1,4 mil milhões de anos. Nessa altura, o dia durava apenas 18 horas, segundo especulações de investigadores da Universidade de Wisconsin (EUA). Pelo que, especulo também, poderia, se então vivesse, agarrar a Lua à mão e oferecê-la à minha mulher.

Hoje, como o poeta, apenas posso prometer-lha.

Como sempre digo, a espantosa realidade nunca deixa de me espantar. O abrandamento da Terra é um sinal de ironia, da Natureza e da natureza das coisas. Quando o mundo inteiro gira desenfreado, provavelmente para lado nenhum, o Planeta lembra-nos: é preciso andar devagar para chegar mais longe, é preciso fechar os olhos para ver a Lua.

Quantas vezes não contámos o tempo? Nos melhores momentos da vida. Soubemos depois que foram 23h 56m 4,09s que nos pareceram como há 1,4 mil milhões de anos ou ainda antes, muito antes.

Há quantas luas não esquecemos o tempo, não nos entregamos à espantosa e inglória necessidade de o suspender, de sentir o abrandamento da Terra e o afastamento da Lua?

Quantos telemóveis, internetes, googles e facebooks é preciso recuar para sentir de novo a vertiginosa velocidade do tempo que não queremos que passe?


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