Livro revela grafitos medievais no mosteiro

O livro “Grafitos Medievais do Mosteiro da Batalha”, edição póstuma de Jorge Estrela, com coordenação editorial de António Luís Ferreira e de Carlota Simões (viúva do autor e responsável pela edição), foi lançado no dia 30 de novembro no auditório do Mosteiro da Batalha.

A obra tem 128 páginas, foi apresentada por António Luís Ferreira e coordenação científica do professor Vítor Serrão, que também foi o e autor do prefácio sob o título “Os grafitos da Batalha e o escopro de um erudito desalinhado e rebelde”.

Este livro póstumo de Jorge Estrela, produzido pela Hora de Ler, segundo palavras do próprio autor, “fala de um não assunto: os gestos ignotos e anónimos de quem esteve no mosteiro durante a sua construção. Escultores, pedreiros, carpinteiros, arquitetos, monges, fixaram nas paredes uma linguagem paralela, não a dos alicerces, das abóbadas e de um imaginário que iriam legar à posteridade, mas as dúvidas, as conversas, as ironias, as crenças, de um quotidiano forjado numa das épocas mais criativas do viver dos portugueses”.

Os numerosos grafitos são atribuíveis aos séculos XV e XVI e cobrem grande parte das paredes exteriores e interiores do Mosteiro da Batalha.

A edição surge quase uma década depois da exposição que revelou a investigação feita pelo historiador de arte Jorge Estrela a um património único em Portugal, explica o diretor do Mosteiro da Batalha. “Não temos conhecimento da existência de outros grafitos em Portugal. O mosteiro é mesmo um caso especial. Caso similar só talvez na Catalunha”, refere Joaquim Ruivo.

O livro insere ainda um estudo sobre “As rochas do Mosteiro da Batalha: suas características, comportamentos e alterações”, da autoria de Luís Aires-Barros, professor e presidente da Sociedade de Geografia de Lisboa.

 

Mais para descobrir no monumento

Os resultados do trabalho que deram a conhecer as cores originais da Capela do Fundador do Mosteiro da Batalha deverão ser publicados em 2021, e poderão ter continuidade, apesar de estarem concluídos os objetivos iniciais do projeto, no túmulo do Infante D. Henrique.

O projeto, concretizado por equipas das universidades Nova de Lisboa e de Évora e do Politécnico de Leiria, permitiu verificar que na abóbada por cima do túmulo do Infante D. Henrique existiam vestígios de pintura figurativa, que parecem ser figuras de anjos ou santos. Por isso, a investigação poderá continuar se for encontrado financiamento.


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