José Travaços Santos

Baú da Memória

Língua, património construído, etnografia

 

Volto a dizer que o Ministério da Cultura, o Governo e todas as outras entidades a quem compete preservar os nossos valores distintivos e promover a sua divulgação e a sua utilização em termos de grande dignidade e de prestígio, deviam preocupar-se seriamente com a defesa do Idioma, cada vez mais descaracterizado pela intrusão dos termos ingleses, desnecessários e ridículos, e com a dos patrimónios arquitectónico, arqueológico e etnográfico, este constantemente desconsiderado e ignorado como parte integrante e importante da Cultura Portuguesa.

Há pouco passei por Juromenha, no Alto Alentejo, a curta distância de Olivença onde, pela nova ponte do Guadiana, lado a lado com o que resta da velha ponte da Ajuda, se chega num pulo, e fiquei estarrecido com o estado de abandono do seu núcleo histórico não obstante o seu interesse arquitectónico e o papel que desempenhou em vários períodos da vida nacional, além, evidentemente, da sua antiguidade. Dessa breve visita recente é a imagem que ilustra a secção deste mês.

Por cá, entre outras situações a revelar o mesmo e antigo desinteresse das esferas do Poder, os casos da estação arqueológica de São Sebastião do Freixo, onde se situou a importante povoação túrdulo-romana de Collippo, cujo espólio que se conseguiu salvar anda disperso mas devia ser reunido na Batalha, e a Quinta da Várzea, histórica por ter pertencido ao convento dominicano e por ter sido adquirida em 1837 por esse grande vulto da primeira metade do século XIX e restaurador-salvador do Mosteiro de Santa Maria da Vitória, Luís da Silva Mouzinho de Albuquerque, e nela ter nascido o neto deste seu proprietário e outro grande vulto da História Pátria, Joaquim Mouzinho de Albuquerque. A Quinta possuía um dos raros solares da região.

A Quinta da Várzea foi, e muito bem, classificada como património concelhio ou de interesse público pelo respectivo Ministério e, depois, estranhamente desclassificada por o despacho ministerial nunca ter sido publicado no Diário da República. Quem decifrará este mistério?

Valha-nos agora a decisão que a nossa Câmara Municipal tomou de chegar a acordo com os actuais proprietários, o Seminário de Leiria, para preservar aquele espaço histórico e reforça-nos a esperança, de ali se fazer um memorial adequado, o desejo, já expresso pela Arma de Cavalaria, de quem Joaquim Mouzinho de Albuquerque é o patrono, de colaboração e inclusivamente cedência de peças para um museu que seria mais um valioso e aliciante espaço cultural no nosso Concelho.

 


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