José Travaços Santos

Baú da Memória

José Carreira Madeira

 

Foi um dos últimos artistas-canteiros batalhenses. Educado por um dos irmãos Jorge Ribeiro, o António, que vivia e aí tinha uma oficina na rua de António Cândido da Encarnação, ali nas traseiras da Santa Casa da Misericórdia, começou ao sair da Escola Primária a aprender a tão batalhense arte de esculpir o calcário e desde logo revelou boas aptidões para o ofício. Porque já então o ofício mal dava para viver teve de procurar, aos vinte e tal anos, outra ocupação, a de motorista, onde se manteve até à reforma. Mas o bichinho da escultura da pedra mantinha-se e na reforma recomeçou a criar as tão originais esculturas de calcário, tão expressivas e tão típicas dos nossos Canteiros. Fez, ainda, imensas, doze das quais tive oportunidade de adquirir e que para mim são um verdadeiro tesouro. Quatro das suas peças fazem parte do acervo do Museu Etnográfico da Alta Estremadura, Casa da Madalena, do Rancho Rosas do Lena, e pelo menos uma está na posse da nossa Câmara Municipal.

Curioso é que não só continuou na arte como dela transmitiu os segredos ao seu genro Armando Pinheiro que, felizmente, a continua nas suas horas vagas, revelando extraordinária aptidão, dando assim continuidade a uma das mais expressivas e originais actividades artísticas da Batalha que gostaria que fosse mostrada no nosso Museu ou, de preferência, num segundo museu, aquele que já aqui referi, dedicado à escultura, à pintura e à fotografia.

O José Madeira, meu velho companheiro da Escola, faleceu no mês passado. Os meus mais sentidos pêsames à sua família.


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