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Infante D. Henrique, o Navegador

A 4 de março de 1394, nasceu, no Porto, o Infante prodígio da Ínclita Geração: D. Henrique, filho de D. João I e de D. Filipa de Lencastre.

Adquiriu o epíteto de “O Navegador” - embora se aponte que apenas tenha navegado uma vez (diz-se que sofria de enjoos) – por impulsionar a expansão marítima portuguesa, estudando e organizando, em terra, as viagens dos navegadores da época.

Dedicado às ciências matemáticas e náuticas e à astronomia, D. Henrique terá vivido em Lagos, onde, segundo o historiador João P. Oliveira e Costa, fundou a verdadeira escola náutica (ao invés de Sagres).

Em 1414, organizou, no Porto, a expedição de Ceuta, angariando cerca de 50 mil homens. Ordenou que todos os habitantes contribuíssem com a doação de alimentos, sobretudo carne, para as embarcações. Por lhes terem restado apenas as tripas, os portuenses passaram a ser conhecidos como “tripeiros”.

Aos 21 anos, o Infante comandou a expedição ao norte de África marcando o início da época dos descobrimentos portugueses, potenciando as trocas comerciais e os primeiros escravos na Europa.

Em 1420, foi nomeado governador da Ordem de Cristo. O título permitiu-lhe utilizar os fundos da Ordem para o financiamento das expedições na costa africana.

É-lhe atribuída a expedição de Tanger, onde o seu irmão, D. Fernando (Infante Santo) foi capturado. O resgate impunha a entrega de Ceuta aos marroquinos, pelo que, segundo algumas teorias, D. Henrique terá martirizado o seu irmão para defender a nova colónia conquistada. Há quem defenda, contudo, que Henrique tudo fez para salvar a vida do seu irmão, abrindo mão de Ceuta e que terá sido o próprio D. Fernando a escolher ser sacrificado.

A D. Henrique se deve o desenvolvimento da caravela: nova embarcação que permitiu navegar com mais rapidez e eficácia, até ao século XVII.

Prevendo a sua morte, Henrique escreveu 15 testamentos onde atribuía alguns dos seus bens e encomendava missas de sufrágio na Batalha, em Tomar e noutros templos. Numa das cartas, pediu que as suas dívidas fossem liquidadas e que as ilhas Terceira e Graciosa fossem doadas ao seu sobrinho e afilhado, D. Fernando (filho de D. Duarte), que perfilou, pois não casou nem deixou linhagem.

O seu túmulo está na Capela do Fundador no Mosteiro da Batalha, com a inscrição da divisa Tallent de bien faire (vontade de bem fazer) e os brasões da Ordem de Cristo, da Casa de Avis e da Ordem da Jarreteira. É o único túmulo, para além do de seus pais, que tem estátua jacente, fruto de encomenda do próprio que terá realizado um molde da sua face em argila, permitindo aos canteiros a escultura do seu semblante na pedra: face redonda, cabelo e olhos claros.

É comum, todavia, associar-se ao Infante a imagem de um homem moreno, face delgada, pequeno bigode e chapéu, com base na interpretação dos elementos da Ínclita Geração nos painéis de S. Vicente (séc. XV), atribuídos a Nuno Gonçalves.

Henrique faleceu a 13 novembro de 1460 e foi trasladado a 5 de julho de 1461 para a Batalha, onde escolheu ser sepultado. Na celebração dos 550 anos da sua morte, foi erguida uma estátua com as características do rosto esculpido no seu túmulo. A peça encontra-se junto às Capelas Imperfeitas, no largo Infante D. Henrique. Visite-a ou revisite-a e reviva o legado do Navegador na nossa História.

 

Fontes: Costa, J.P.O. (2009). Henrique, o Infante. A esfera dos livros. Lisboa. 2009. (pp. 108, 208, 298, 370) Gomes, S. (2010). O Infante D. Henrique, a Batalha e os Destinos de Portugal. Jornal da Golpilheira.

 


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