Município da Batalha MCCB (Museu da Comunidade Concelhia da Batalha)

Espaço do Museu

Infanta Isabel, a Duquesa de Borgonha

 

(…) naceo hua filha, que chamarã dona Isabel (…) que depois foi Duquesa de Breguonha

 

Fernão Lopes

 

Irmã de cinco homens carismáticos, e fruto do enlace real de D. João I com Dona Filipa de Lencastre, a Infanta Isabel Lencastre e Avis nasceu, em fevereiro de 1397, em Évora.

Numa época em que a vida pública era reservada quase exclusivamente a homens, Isabel destacou-se no campo político, diplomático e financeiro.

Foi a protagonista feminina da corte de Avis entre 1415 e 1429, após a morte da sua mãe, assumindo com determinação a administração da Casa da Rainha.

Casou aos 32 anos, com um dos homens mais influentes da Europa do seu tempo: Filipe III, O Bom, da Borgonha, com quem teve três filhos e dos quais apenas sobreviveu Carlos, O Temerário (1433-1477). No seguimento do matrimónio, Filipe III criou a Ordem de Cavalaria do Tosão de Ouro (1429), com a divisa Antre n'array Dame Isabeau Tante que vivray, que significa não terei outra enquanto viver a dama Isabel, em homenagem à esposa.

Como Duquesa de Borgonha (1430-1471) a ação de D. Isabel estendeu-se a vários domínios da governança, nomeadamente em acordos de comércio e de paz; na organização de importantes conferências (Laon e Gravelines, 1439); na libertação do duque de Orleãs (Orléans); em tréguas de guerra; em matrimónios (em especial, de Carlos, o Temerário, seu filho, e de Leonor de Portugal); na anexação de território (Luxemburgo, 1442); no acolhimento dos filhos exilados de D. Pedro, Duque de Coimbra, morto na sequência da Batalha de Alfarrobeira (1449). Isabel de Borgonha fez e recebeu diversas solicitações pessoais de reis europeus, designadamente os de Aragão, França, Portugal e Inglaterra.

A ligação à Batalha manteve-se, manifesta nas valiosas ofertas que D. Isabel fez ao Mosteiro. De acordo com Pedro Dias, é provável que tenha sido a Duquesa a oferecer o precioso retábulo gótico da Paixão de Cristo ao monumento. A peça, em madeira policromada, encontra-se atualmente na Capela de Santo Antão, na localidade com o mesmo nome.

Isabel, protetora dos seus, mas também dos que não tinham voz, estatuto ou dignidade, retirou-se, aos 70 anos, para o convento-hospital que fundou para cuidar de pobres e doentes. Após enviuvar, passou a usar o traje das freiras da Ordem de S. Francisco de Assis.

Faleceu em 1471, com 74 anos, em Dijon, na Borgonha.

Embora a Duquesa esteja sepultada no Convento da Cartuxa de Dijon, é no Mosteiro da Batalha que os seus pais e irmão descansam no sono eterno, pelo que a sua memória permanece ligada ao monumento.

Visite ou revisite o Mosteiro e sinta a mística desta família notável. Visite também o Museu da Comunidade Concelhia da Batalha, que dedica uma parte significativa a este monumento.

Fontes: Antunes, A. P. J. (2012). De infanta de Portugal a duquesa de Borgonha D. Isabel de Lencastre e Avis (1397-1429) (Doctoral dissertation, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Universidade Nova de Lisboa). Parisoto, F. (2011). D. Isabel de Portugal, ínclita duquesa da Borgonha (1430-1471): diplomata europeia do século XV: contributo para uma bibliografia crítica (Doctoral dissertation). Dias, P. (coord.) (1997), O Brilho do Norte, Estudos sobre Escultura e Escultores do Norte da Europa em Portugal - Época Manuelina, Lisboa, Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses.


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