A Opinião de André Loureiro

Presidente do PSD da Batalha

A importância da vacinação para todos

O plano de vacinação contra a Covid-19 é, pela sua dimensão e impacto global na saúde dos portugueses, na recuperação económica e pela necessidade de igualdade e coesão social, um desafio sem precedentes nas últimas décadas.

Em primeiro lugar, é um desafio para todos nós que temos de saber gerir as expectativas, os naturais receios e com disciplina e resiliência perante a adversidade, ter consciência que os efeitos da vacina só serão eficazes quando atingirmos a designada imunidade de grupo. Até lá, cumpre-nos o dever de moderação e convivência social com os cuidados que a pandemia ainda nos obriga a ter.

Por outro lado, em segundo lugar, o processo de vacinação é um desafio enorme para o Estado, para a capacidade de organização e mobilização dos recursos e competências indispensáveis, procurando evitar os inevitáveis atropelos e compadrio habituais, como sucederam no início do processo em algumas instituições de lar e no próprio seio dos profissionais de saúde. Por isso, considero acertada a decisão de escolher um oficial general das Forças Armadas com currículo inquestionável e que tem garantido a operacionalidade desta tarefa verdadeiramente nacional.

Na missão de suporte à Covid-19, é igualmente justo reconhecer o papel essencial das autarquias, primeiro nas medidas de mitigação do risco e proteção da população, na generalização dos testes de controlo da infeção e agora no suporte de todo o processo de vacinação. No caso do concelho da Batalha, com alguma imodéstia, considero que as instituições locais têm feito bem e com bastante eficácia, sejam as estruturas montadas de apoio ao processo de vacinação ou nos meios disponibilizados aos profissionais de saúde para que possam cumprir a sua missão.

Também a população da Batalha tem sido exemplar e mostra uma resiliência invulgar, com destaque para as mulheres e homens da nossa terra que mesmo num quadro de bastante adversidade prosseguem com as suas tarefas profissionais, mantêm as empresas a laborar e asseguram as condições para os seus familiares, sejam crianças, jovens ou mais idosos, tenham o conforto de continuar as suas vidas dentro da normalidade possível.

Resta-nos, pois, continuar determinados nesta exigente tarefa e contribuir para que o processo de vacinação seja um sucesso ao nível local e nacional, mesmo sabendo dos constrangimentos na produção e distribuição, estão a contribuir para diferenças de ritmo dos programas de vacinação na Europa e no nosso país e poderão agravar desigualdades.

Uma coisa é certa, este desafio apenas será vencido se for generalizado para todos e verdadeiramente partilhado pela nossa Comunidade, ou seja, tal como no período de mitigação da doença da Covid-19, não basta vacinar só alguns ou definir grupos de vacinação prioritários, é mesmo preciso vacinar todos e o mais rapidamente possível. Nesta fase, precisamos mesmo de um forte contágio de vacinas, muita responsabilidade e um maior empenho por parte do Estado em garantir as condições necessárias para que os cidadãos tenham acesso à vacina em circunstâncias de igualdade e acessibilidade.

Sabemos que o constrangimento grave na disponibilização das vacinas é uma questão política, económica e estratégica. Temos de exigir alternativas possíveis para o seu fornecimento e mais competência aos decisores. Sabemos também que o mundo não é perfeito, as desigualdades infelizmente persistem nas nossas sociedades, mas o efetivo controle da pandemia requer ação global, planetária e imediata. E essa opção é uma obrigação de todos!

 


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