Homenagem a José Travaços Santos realça a sua dimensão nacional

O lançamento do livro “Apontamentos sobre a História da Batalha — 3º Volume”, que reúne artigos publicados por José Travaços Santos no Jornal da Batalha, constituiu uma homenagem ao etnógrafo e historiador batalhense, uma figura incontornável da cultura da região.

Antes da apresentação da obra, no dia 19 de dezembro, no auditório do Mosteiro da Batalha, foi exibido um filme, da autoria do Rancho Folclórico Rosas do Lena, sobre o percurso de vida de José Travaços Santos, de 90 anos, assente, sobretudo, em três pilares culturais: a etnografia, o folclore e o Mosteiro da Batalha.

O livro, com 368 páginas, tem coordenação de Adélio Amaro e Armindo Vieira, edição do Município da Batalha e composição do Centro do Património da Estremadura (CEPAE). Na capa está reproduzida uma imagem Igreja de Santa Maria a Velha, “antes da lamentável intervenção que apagou o primitivo templo”.

Na sua intervenção, o presidente do Município da Batalha, Raul Castro, afirmou que “a tarefa de falar sobre José Travaços Santos nunca estará concluída. Aquilo que tem feito ao longo da vida, de doação permanente e extraordinária do seu conhecimento à comunidade, faz dele uma personalidade marcante a nível nacional. É um dos maiores especialistas de etnografia do país, um homem de causas e de valores, é um homem bom e de paz”.

“É um orgulho do Concelho da Batalha. É um orgulho da região. É uma personalidade marcante da cultura, a quem só falta o reconhecimento da tutela da área da cultura; por isso esperamos que haja quem tome a decisão de assumir que bem merece o reconhecimento nacional”, adiantou o autarca.

“As conversas que temos mantido refletem sempre três paixões que tem, para além, obviamente da família e dos amigos: a etnografia, o folclore e o mosteiro. Não sei qual delas está em primeiro plano, mas seguramente o mosteiro é uma das mais altas paixões da sua vida”, considerou o diretor do Mosteiro da Batalha, Joaquim Ruivo.

Além destas “paixões, tem o trabalho constante de uma vida que é algo incrível, em termos de escrita, envolvimento associativo, no folclore, não há ninguém comparável, com a sua capacidade, vendo aquilo que escreveu e fez”, adiantou Joaquim Ruivo.

Elogiando a memória de José Travaços Santos, considerou a sua capacidade “extraordinária”, porque ”não é uma memória só enciclopédica, integra um conhecimento vastíssimo da etnografia, do folclore, do mosteiro, das famílias e da história da Batalha”.

O presidente do CEPAE, Adélio Amaro, considerou José Travaços Santos “um dos maiores estudiosos e investigadores do Mosteiro da Batalha” e destacou o seu empenho na área do folclore, no Rancho Folclórico Rosas do Lena ou como primeiro conselheiro técnico da Alta Estremadura, nomeado pela Federação do Folclore Português, “o que mostra bem o seu conhecimento e paixão também pela etnografia e pelo folclore”.

A encerrar a sessão, José Travaços Santos, começou por afirmar que “não esperava uma homenagem, esperava apenas o lançamento do livro”, destacando: “Não me acho merecedor de qualquer homenagem”. Depois recordou com “muita saudade” o tempo de trabalho nas cadeias e aproveitou, como tem feito ao longo de décadas, para lamentar a perda “enorme de memórias”, como aconteceu com a Igreja de Santa Maria a Velha, e para combater as tentativas de “denegrir” a História de Portugal

"Eu não sou historiador, sou apenas um aprendiz das coisas da história. E este não é um livro de história, é um livro com uns apontamentos sobre coisas da Batalha, que é preciso as novas gerações conhecerem”, concluiu com a “humildade” que muitos dos oradores da sessão lhe reconhecem.

Quer na sessão, quer no vídeo (que pode ser visto online através do link: https://youtu.be/zJ_jrjzeYkg), muitas outras pessoas testemunharam aspetos da vida do homenageado, como José António Bagagem, presidente do Rancho Folclórico Rosas do Lena; Verónica Gordo, presidente da Associação Folclórica da Região de Leiria e Alta Estremadura; Maria Emília Francisco, vice-presidente da Federação do Folclore Português; José Alberto Sardinha, investigador de música tradicional; Armindo Vieira; jornalista, coordenador do livro; Carlos Ferreira, diretor do Jornal da Batalha, e as filhas Fátima e Leonor Travaços.


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