Tomaz Bénite

Baltimore

História mal contada difama povo

Acabo de ler o artigo “Das bicicletas na Holanda” do vosso colaborador Francisco André Santos.

Quando Francisco escreveu o artigo ainda não se sabia do resultado das eleições na Holanda e talvez não lhe passasse pela ideia as infelizes declarações do Ministro das Finanças daquele pais que vergonhosamente escandalizou os países do sul da Europa e que os setentrionais europeus apelidam de PIGS.

Este fulano de nome esquisito, que não me interessa e até me recuso a escrever, acumula também o cargo de presidente do Eurogrupo no Parlamento Europeu. Está agarrado de unhas e dentes ao tacho onde se lambuza mensalmente com dinheiro e poder, permitindo-se insultar países, governos e cidadãos que ao longo de décadas foram usados para criar riqueza nos países ricos e exploradores de mão-de-obra.

Este político, (agora em aflição pela mudança de governo na Holanda), pretende usar a mesma tática golpista da esperteza saloia dos italianos que em tempos idos de 12 de março de 1514, quando o Rei D. Manuel enviou o Embaixador Tristão da Cunha a Roma, acompanhado da fina flor da nobreza, numa caravana valiosíssima de pedras preciosas, joias, um elefante arreado a ouro, uma onça, cavalos persas e outros animais exóticos adestrados, que fizeram as delícias dos romanos e do papa Leão X.

Estas fabulosas ofertas tinham fins políticos. Demonstrar a obediência do soberano português e em contrapartida, obter o fortalecimento doutrinário da Igreja nos territórios que Portugal viesse a ocupar no Mundo. Na numerosa comitiva de uma centena de pessoas, Tristão da Cunha era assessorado por hábeis negociadores de artes e ofícios e conceituados homens de fé, provenientes de universidades clericais.

Leão X, rendido ao esplendor da parada, decretou que nos dias seguintes, durante as festividades, todos os portugueses teriam entrada gratuita nos receções e espetáculos agendados, como reconhecimento e dignificação da embaixada portuguesa. E assim aconteceu, naquele período majestoso, na cidade eterna de Roma.

A população romana, que além dos desfiles de rua, não tinha qualquer esperança de participar nas receções e concertos com mais dignidade, em espaços reservados, ao ouvirem os arautos publicitar o conteúdo do decreto papal, prepararam os seus melhores atavios e apresentaram- se à entrada dizendo, em tom sério e decidido “io sonno portoghese” - e entravam. É facto que os italianos não conhecem a história. Gozam e riem-se dos portugueses, porque apenas conhecem de memória aquilo que entre eles os entretém. Furtarem-se a pagar nas grandes aglomerações, ainda hoje.

Sendo latinos, preconceituosos e de mau perder, usam o chico- espertismo para defender a sua desfaçatez arguta e iludem os pobres de espírito. A capacidade, inteligência e a verdade dos outros, causa imensa frustração e ressabiamento nos mais complexados e incapazes. Por isso temos o dever de lhes contar a verdade.

Afinal, em Itália, quem entra sem pagar, usa os transportes sem comprar bilhete, pega no jornal e não deixa o dinheiro na caixa, “non sonno i portoghese”, “sonno gl’italiane”.


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