José Travaços Santos

Baú da Memória

História deturpada e vilipendiada

Nos “Apontamentos” deste mês tive de voltar a um tema que é caro, ou que devia ser, a todos os Portugueses. E voltei porque os nossos Descobrimentos continuam a ser alvo de ataques que não podemos deixar passar em branco sem os enfrentar e tentar desmantelar.

Repito: Houve, com certeza e como em todas as obras humanas, erros e atitudes condenáveis, mas os benefícios para a Humanidade facilmente os superaram.

Dos Descobrimentos ressalta a lição de como um pequeno povo (então pouco mais de um milhão de almas) foi capaz de pensar, organizar e levar avante uma empresa daquela dimensão universal, de que resultaram avanços notáveis e consideráveis no conhecimento do planeta que habitamos, nas ciências, na técnica da construção de navios, na oceanografia, na astronomia e noutros ramos do saber, lição que bem precisamos de reaprender no nosso tempo.

Neste combate patriótico e da razão da verdade, todos temos um papel a desempenhar, particularmente quem, como na vila da Batalha, vive paredes-meias com a história desse século XV luminoso e a evocação permanente, no seu régio panteão, dos príncipes que idealizaram e impulsionaram a espantosa epopeia protagonizada pelos nossos antepassados.

A ilustrar o “Baú” um desenho de grande qualidade da fachada oeste do Mosteiro de Santa Maria da Vitória, executado pelo pintor galego Chucho (é assim que ele quer ser designado), espírito livre, corpo vadio, língua destemperada, mas artista de méritos tão provados como desperdiçados, semeador de tesouros que vai espalhando generosamente, ele um sem-terra despojado de todos os bens materiais a que estamos habituados, a troco de uns euros para a sopa e para o café.


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